Roberto Guedes volta com a histórica Revista Status Comics.



Recentemente o editor, roteirista, escritor e pesquisador Roberto Guedes lançou o seminal "Jack Kirby o criador de Deuses" mas o intrépido editor aproveitou a bela fase para retornar com um antigo projeto: STATUS COMICS o fanzine que publicou em inicio de carreira.


A Volta de Dylan Dog às Livrarias Brasileiras



Além dos quadrinhos europeus da Mythos, outra que vai trazer HQ de qualidade ao leitor brasileiro é a editora Lorentz.
O personagem italiano Dylan Dog, também conhecido como o Investigador do Pesadelo, completou 30 anos de publicação em 2016. É o maior fenômeno editorial dos quadrinhos italianos nos últimos anos. Criado pelo roteirista Tiziano Sclavi para o Estúdio Bonelli, o personagem é um ex-policial da Scotland Yard que se livrou do distintivo e do álcool para investigar casos sobrenaturais por conta e risco próprios. Suas aventuras mesclam todo tipo de gêneros: thrillers a la Poe, terror, zumbis, viagens espaciais, interdimensionais, viagem no tempo, assassinatos, monstros, romance… Há vários gêneros presentes, sendo nada fácil colocar um como “o” mais importante, as narrativas e os temas se cruzam de uma forma, que não encontramos fronteiras, moldando um amalgama que é esse HQ de crime-suspense-mistério.


Mythos divulga leva de ótimos quadrinhos europeus.




 Os leitores mais exigentes e fãs de bons quadrinhos, terão em breve ótimas alternativas em contraponto à enxurrada de títulos de Marvel e Dc em mais uma enxurradas de mortes, ressureições e ameaças cósmicas que as americanas estão jogando em seus leitores atualmente em mais uma tentativa de uma massagem cardíaca tentando se manter no mercado. São as novidades trazidas pela Mythos editora.

Além dos materiais vindos da italiana Sergio Bonelli Editore e da britânica 2000AD, uma enxurrada de títulos europeus da Glénat está nos planos da Mythos Editora. Dois deles já têm data prevista para este segundo semestre.
Em outubro, será lançado Red Skin (ainda sem título em português), com roteiros do francês Xavier Dorison – conhecido por aqui por O Terceiro Testamento (publicada de forma incompleta pela Multi Editores) – e desenhos do norte-americano Terry Dodson, cuja arte pode ser vista em HQs de super-heróis como o Homem-Aranha (Caído entre os Mortos, O Mal no Coração dos Homens).

No final dos anos 1970, auge da Guerra Fria, uma espiã russa é enviada aos Estados Unidos para realizar uma operação de propaganda e lutar contra um grupo neo-fascista que ameaça os acordos de desarmamento nuclear. Já na terra do Tio Sam, ela se infiltrará sob a identidade secreta de uma… atriz pornô!
“Antes de conhecermos Red Skin, conhecemos Red One, que era a versão publicada pela Image“, conta o editor Julio Monteiro. “Mas a original é francês. A partir desse material com o Terry Dodson, que é conhecido pelo público das nossas HQs – ou talvez melhor dizendo pelo eixo de fãs Marvel/DC, como um todo –, aproveitamos outros materiais que também tinham esse diferencial gráfico e combinavam com boas histórias”.

De acordo com o editor da Mythos, os dois álbuns de Red Skin irão sair em um encadernado de 112 páginas.

No final de novembro, a editora trará Elric, adaptação para os quadrinhos da famosa saga escrita pelo britânico Michael Moorcock sobre o imperador do reino de Melniboné, introspectivo, debilitado e escravo da sua espada.
“Já em Elric, fomos inspirados pelo fato de que somos a casa de um dos ‘amigos’ do feiticeiro albino, que é o Conan, e também pelo fato de que o Moorcock está em alta atualmente no Brasil”, explica Monteiro.


Com roteiro de Julien Blondel e arte de Robin Recht e Didier Poli, foram lançados dois álbuns de um total de quatro volumes na Europa. No Brasil, serão compilados os dois primeiros tomos (Le trône de rubis e Stormbringer) na edição.

Vale lembrar que, no começo dos anos 1990, chegou a sair por aqui uma versão por um dos grandes escritores de Conan, Roy Thomas: Elric – Navegante Nos Mares do Destino, minissérie em quatro edições pela Abril; e A Cidade dos Sonhos, dentro da coleção Graphic Globo, com arte de P. Craig Russell.

Em 2018, serão lançadas pela editora brasileira mais obras da Glénat, que terá a companhia de títulos da Delcourt. Confira a seguir:
Cutting Edge, com roteiro de Francesco Dimitri e desenhos de Mario Alberti (do Tex Graphic Novel # 2 – Fronteira!), mostra a nata mundial de cientistas, artistas e empresários envolvidos em um desafio mortal que testará seus limites.
Já Nous, les morts se passa no Século 16, quando a Europa é vítima de uma epidemia que transforma as pessoas em zumbis. Cinco séculos depois, do outro lado do Oceano Atlântico, a única ligação do povo asteca com os europeus é um estranho grupo que chegou de barco logo após o surto.
A trama é desenvolvida pelo croata Darko Macan e a arte fica por conta do também conterrâneo Igor Kordey, conhecido por aqui por trabalhos da Marvel, DC e Heavy Metal.


Ainda no âmbito dos zumbis, os fãs de terror nas telonas poderão conferir La Nuit des Morts-Vivants, abordagem quadrinizada do francês Jean-Luc Istin (roteiro) e do italiano Elia Bonetti (arte) para o clássico longa-metragem A Noite dos Mortos-Vivos (1968), do diretor estadunidense George A. Romero.
Ainda na esteira do terror, o roteirista britânico Pat Mills (Marshal Law, Sláine) se junta ao artista francês Olivier Ledroit para dar tom ao clima gótico e sadomasoquista de Requiem – Chevalier Vampire. Morto no front durante a Segunda Guerra Mundial, um soldado nazista vai parar em um mundo onde se fica mais jovem na medida do avanço do tempo, e onde a terra é o mar e vice-versa. Lá, as pessoas reencarnam em monstros, de acordo com os seus pecados. Uma das castas mais poderosas é a dos vampiros.


Por fim, apesar de ser um material norte-americano, a editora trará, com base na edição francesa, a série Lady Mechanika, de Joe Benitez, cujo traço é conhecido por aqui em Darkness e Novos Titãs (da fase de Judd Winick). No estilo steampunk, a HQ acompanha uma garota sobrevivente de uma terrível experiência que a deixou com braços mecânicos na busca do seu passado.


Segundo Julio Monteiro, atualmente os quadrinhos alcançaram um boom que tornou possível lançar produtos diferenciados e, mesmo assim, alcançar também o público.

“Quisemos aproveitar essa oportunidade trazida pelo mercado atual para explorar novos formatos e quadrinhos diferenciados”, justifica o editor, exemplificando a republicação de Conan – Edição Histórica e, mais recentemente, Hellboy – Edição de Ouro – Contos Bizarros, que “é gigantesco para se explorar melhor a arte”.
“Ainda estamos negociando materiais franceses, mas para o ano que vem teremos, no máximo, mais um ou dois”, complementa.

por: Ed Oliver

fonte: Press Release enviado pela Mythos Editora

Maurício de Sousa o Homem de 1 Bilhão de Revistas!




Até a década de 90 era comum uma rusga e injustificada crítica e aversão aos quadrinhos brasileiros, com o advento da internet e os Projetos de financiamento de quadrinhos fez com que inúmeros e talentosos artistas brasileiros mostrassem seus trabalhos além do setor alternativo e o público leitor percebeu que havia vida inteligente ( e de qualidade) além dos universos Marvel, DC e Mangás onde, aliás as 2 americanas agonizam desde ha 3 décadas com roteiros cada vez mais repetitivos e sem a capacidade de renovar seus leitores apesar do sucesso de seus desenhos e filmes.



Mauricio de Sousa que é o principal nome do quadrinho nacional soube renovar e inovar seus produtos para o novo milênio e numa crescente cada vez maior hoje tem sua obra espalhada por todo o mundo, ultrapassando em números um nome até então pensado inabalável no setor: A Disney
Convidado do programa Roda Viva desta segunda-feira (03/07/2017) Mauricio de Sousa, nascido em 27 de outubro de 1935 na cidade paulista de Santa Isabel, ele é o autor das histórias em quadrinhos mais lidas do Brasil. Desde 1959, quando surgiu sua primeira criatura, o cãozinho Bidu, até hoje, foram mais de 1 bilhão de gibis vendidos e 400 personagens!!! Parte desta trajetória de sucesso é descrita na recém lançada biografia “Mauricio – A história que não está no gibi”. Confira trechos da entrevista:

“Foi sem querer que comecei a retratar as minhas experiências nos quadrinhos. De repente percebi que estava levando toda a minha vivência para as histórias. Estava dando certo e resolvi continuar com a mesma fórmula”.


“Um dos segredos da longevidade da Turma da Mônica é que meu estúdio tem muitos jovens. Isso ajuda a manter as histórias vivas e dinâmicas. Acompanhamos inclusive as evoluções tecnológicas e atualizamos as plataformas de comunicação. Hoje, nosso maior sucesso no YouTube é a Mônica Toys, com bilhões de acessos no mundo todo”.

“Quando criei o Cascão estava com medo de lançar a revista achando que poderia estimular as crianças a não tomarem banho. Minha mulher perguntou por que este medo e disse: ‘Toda criança é assim’. Por enquanto não penso em lançar um personagem homossexual. Vou esperar que a sociedade aceite essa questão de maneira melhor. Sempre digo que a Turma da Mônica não deve levantar bandeiras, mas pegar a bandeira que está passando”.

“O papel não vai acabar, porque é mágico, tem cheiro. É diferente da imagem fugidia da televisão, da internet. Não é a mesma coisa que pegar na mão, ler, cheirar, guardar”.

“Quando entrei no jornalismo, vinha carregado de um português rebuscado, formal. A primeira coisa que pediram na redação foi para usar uma linguagem coloquial, não colocar adjetivos e ser direto. Pensei que ia jogar fora todos os meus anos de Eça de Queiroz e Machado de Assis. Mas esse texto direto e coloquial é o ideal para caber num balão de história em quadrinho. A reportagem me ensinou a concisão. Acabou sendo ótimo, porque nem a profissão de repórter nem a de desenhista pagavam muito. Juntando as duas me dei bem”.


“Mesmo no tempo da ditadura, era muito cuidadoso. Por isso não sofri pressão do governo. Tinha que me preocupar não só com o meu salário, mas com o de todos que trabalhavam comigo. Alguns colegas tentaram me convencer a fazer com que meus personagens se engajassem, mas não aceitei. Na época da queda do Jango já tinha me dado mal e decidi que não queria mais saber de política. Na campanha pela nacionalização das histórias em quadrinho, fui demitido da Folha acusado de comunismo”.

“No momento da criação, o desenhista é o personagem. Então, já fui o Bidu, a Mônica, o Cebolinha, o Louco. Mas o personagem que mais me caracteriza é o Horácio, o dinossauro. Ele está solto no mundo. O Horácio é meu alter ego. Tanto que ainda não consegui passar o esse personagem para ninguém do meu escritório”.

“Uma coisa que incomoda qualquer criador é a patrulha do politicamente correto. De vez em quando, chego no estúdio e peço para o pessoal desobedecer um pouquinho mais. Mas o que é mal visto eu não uso. No começo das minhas histórias desenhava o Chico Bento soltando balão. Não uso mais. Meus personagens devem agir da mesma forma que as crianças bem informadas de hoje”.


“Quando conheci os gibis, fiquei maravilhado. Levei para casa alguns bem velhos, já desbotados, amassados, e pedi para a minha mãe ler para mim. Aqueles personagens ganharam vida na voz dela. Aprendi a ler pelos gibis, com a minha mãe me ensinando os segredos daquelas letrinhas. Ali começou meu gosto pelo desenho e pela vontade de fazer aquilo”.

“Na escola, uma professora não gostava que eu desenhasse na sala de aula. Me dava reguadas quando me pegava desenhando. No ano seguinte, em compensação, uma professora que adorava que eu desenhasse, pediu que eu ilustrasse as lições. Comecei a estudar ainda mais para conseguir ilustrar aquilo e passei a tirar só 9 e 10”.


“É minha família que sugere amainar um pouco os exageros dos personagens. O Cascão, por exemplo, continuará a não gostar de tomar banho, mas não precisa mais ter cheiro ruim. A Magali vai continuar comendo bem, gostando de comer, mas quando passar o carrinho de sorvete ela não vai acabar com o carrinho inteiro como fazia antes”.

“A Mônica era inaceitável no Japão porque ela batia em homens”.

“Quando lancei a revista do Chico Bento aqui em São Paulo, achei que não faria tanto sucesso por causa do universo da roça. Mas foi o contrário. Em alguns meses, ela ultrapassa a da Mônica. Quando pesquisei, descobri que isso acontecia, porque muitos leitores tinham certa nostalgia justamente daquilo que não tinham vivido”.

“Alguns mantras que adoro ouvir são ‘aprendi a ler com os seus personagens’ e ‘você me ensinou a ler’. Mas o ‘você fez parte de toda a minha infância’ talvez seja o que mais me emocione”.


A bancada de entrevistadores reuniu os jornalistas Bruno Meier (VEJA), Edison Veiga (Estadão), Helen Braun (Rádio Jovem Pan), Isabella D’Ercole (Revista Claudia) e Ivan Finotti (Folha). Com desenhos em tempo real do cartunista Paulo Caruso o programa foi transmitido pela TV Cultura.

por: Ed Oliver

Projeto de Laerte e Angeli terá residência artística na casa de Hilda Hilst



A Casa do Sol, onde Hilda Hilst (1930-2004) viveu, em Campinas, terá uma nova função a partir do dia 10, além daquela de preservar a memória da escritora e receber visitantes interessados em conhecer seu universo. Pelo menos por um tempo.

Ali, até o dia 23, 10 artistas brasileiros e estrangeiros vão se reunir com o objetivo de conceber e produzir a revista Baiacu. Baiacu é, também, o nome do projeto idealizados pelos cartunistas Laerte e Angeli que não ficará restrito apenas à casa em Campinas. Durante o período da residência, uma série de atividades será realizada na Sesc Ipiranga, em São Paulo, com a presença dos artistas convidados. A abertura será no dia 11, às 20 h, com transmissão ao vivo pelo Facebook da instituição, quando Angeli, Laerte, Rafael Coutinho e André Conti explicam a genealogia do projeto.


Profissão Quadrinista: Ser Artista ou ser mais uma Engrenagem?




O Artigo aqui não pretende ser uma visão definitiva sobre os rumos da profissão do Quadrinista no mercado atual dos quadrinhos e nem um estudo pormenorizado sobre o tema, mas abordar um aspecto importante deste ofício: "Qual afinal é o papel do profissional de Histórias em Quadrinhos?", qual sua posição diante deste Mercado?
Scott McCloud em "Desvendando os Quadrinhos" pág 172
Acredito que esta reflexão valha muito a pena sobretudo para um mercado de quadrinhos como o brasileiro que  apenas nos últimos anos tem dado uma guinada rumo ao profissionalismo e reconhecimento merecidos, a idéia para esta reflexão me veio ao reler um trecho do livro de Scott McCLoud " Desvendando os Quadrinhos" ( mais exatamente as páginas de 172 a 178 ), onde acredito que o autor tenha feito sua principal contribuição para a carreira de quem quer se aventurar a esta profissão, e uma importante  uma pergunta é lançada:
- Ser quadrinista é apenas conseguir se engajar, fazer parte de uma indústria deste entretenimento? Ou o artista é mais que um membro de uma linha fria de produção e é possível ver seu ofício como a verdadeira forma de arte que é?


Com o advento da internet e a disseminação do conhecimento e técnicas, a maior preocupação dos aspirantes à indústria dos quadrinhos é conseguir "atalhos", todos querem o segredo ou a facilidade para se inserir em um grupo, uma editora, como se um caminho "fácil" fosse possível e mesmo que o caminho seja, digamos, mais acessível para se tornar um profissional, o principal entrave infelizmente ainda não faz parte do cartel de prioridades e da mentalidade da maioria dos artistas: - "Fazer a diferença".
Como editor há mais de 10 anos nesta função e como artista no ramo de quadrinhos já estive em centenas de mostras e convenções observando e analisando milhares de páginas de quadrinhos e portfólios, em 95% dos casos as pessoas buscam um forma de se engajar nesta indústria de qualquer jeito, e uma minoria busca a pergunta de ouro: -" Como posso fazer a diferença"? Isso se reflete impiedosamente na quantidade incrível de trabalhos com erros que o próprio artista não vê, e quando não (e infelizmente é uma quantidade enorme) são trabalhos copiados em que o artista acha que o avaliador não irá perceber sua trapaça, infelizmente em certos segmentos de mercado copiar e clonar o estilo de um artista famoso é estranhamente tido como necessário devido à "demanda" de mercado. O desespero de adequar seu trabalho ao "traço do momento" vai na contramão de sua evolução como artista e na maioria dos casos também na contramão do que realmente buscam os avaliadores.

Claro que num país como o Brasil onde as Artes são vistas como preocupação menor em nossa cultura conseguir uma vaga a qualquer custo ainda prevalece na mente dos jovens que, inseridos em um estúdio parecem não se preocupar em ficar à sombra de um artista maior por toda uma carreira; essa é uma realidade triste e que não deve ser encorajada, infortúnio e reflexo de uma sociedade onde por falta de oportunidades muitas pessoas com talento parecem se bastar no simples fato de conseguir uma ocupação nesse ramo e nunca desenvolverem seus reais talentos.

Por outro lado felizmente, isso tem mudado visto o número de artistas talentosos que se lançam a publicar material fora do "mainstream" em serviços como Catarse, mostrando uma preocupação genuína no desenvolvimento dos quadrinhos como forma de arte e sua evolução como artista, sem as algemas editorias muitos conseguem dar vazão à uma criatividade sem limites.
Editoras menores e mais próximas dos artistas, conseguem fazer edições menores e atender a uma fatia de mercado que busca este material diferenciado, tiragens gigantes não são mais uma realidade do mercado de quadrinhos seja aqui ou no esterior.
Scott McCloud em "Desvendando os Quadrinhos" pág 176
Os artistas que se destacaram e são lembrados como pioneiros foram justamente aqueles que buscaram o "algo além" e construíram uma identidade, quebrando paradigmas: Alan Moore, Frank Miller, John Mark DeMatteis, Bill Sienkiewicz, Jim Steranko, Will Eisner, Bill Watterson, Liniers, Neil Gaiman, Grant Morrison, Kazuo Koike e Goseki Kojima, Daniel Clowes,  são exemplos de alguns artistas que mostraram que mesmo dentro de um contexto mais comercial e que necessitava agradar o público conseguiram imprimir uma nova linguagem e um estilo próprios.

Elektra de Bill Sienkiewicz
Spirit de Will Eisner

A fabulosa e pioneira arte de Jim Steranko

Indo mais além na busca desta identidade, são artistas que foram ainda mais longe em sua pesquisa e inovação por uma identidade própria e ainda assim conseguiram atender às demandas de mercado, mostrando que é possível conciliar arte e profissão, identidade e acessibilidade, como Caza, Phillipe Druillet, Moebius, 

No Brasil temos alguns artistas que com certeza quebraram as barreiras do senso comum e com certeza fosse este um país sério estariam gozando do reconhecimento e prestígio devidos, artistas como o impressionante Antonio Amaral e todos os artistas do movimento os Quadrinhos Poético-Filosóficos , Lourenço Mutarelli, Danilo Beyruth, Jaca, Marcatti, Calazans, Laudo Ferreira

O impressionante Antonio Amaral e sua mescla de pintura, hq e poesia!
               
Desgraçados de Lourenço Mutarelli um dos mais impressionantes Quadrinhos Brasileiros já publicados.
Detalhe de página do italiano Andre pacienza (R.I.P) um artista que fazia cada HQ sua em um estilo de traço diferente!
                                     
Pensar que o conteúdo proporcionado pelos quadrinhos deve estar atrelado às demandas imediatistas e visão pobre de conteúdo da indústria do entretenimento é um fator limitante e muito triste para o potencial de arte que os quadrinhos e seus artistas têm a oferecer. Scott McCloud nos mostrou que até mesmo na indústria do entretenimento, há um "Tao" possível.

por Ed Oliver

O Senado Federal lançou edição fac-símile de O Guarani de 1937.





O Senado publicou uma edição fac-símile em quadrinhos do romance O Guarani, de José de Alencar. A adaptação da obra feita por F. Acquarone foi lançada originalmente em 1937 no jornal Correio Universal. A publicação está à venda na Livraria do Senado ou pode ser baixada gratuitamente em: http://livraria.senado.leg.br/o-guarani-vol-235.html.

"Boulevard dos Sonhos Partidos" é a estréia nos quadrinhos a Editora Todavia




Mais uma editora estreia sua linha de quadrinhos mercado editorial. A editora Todavia, chefiada por André Conti, ex-Quadrinhos na Cia, traz "Boulevard dos Sonhos Partidos".


A Obra de Kim Deitch, é um dos grandes nomes forte dos quadrinhos underground dos EUA. O autor reescreve a história da animação norte-americana, dos artistas pioneiros que desbravaram o gênero a um mundo pós-Disney de parques faraônicos e cifras exorbitantes.

Anos 1930. O público lota os cinemas a cada novo desenho do gato Waldo, o grande sucesso das Fábulas Fontaine. Ted Mishkin, o criador do personagem, deveria estar nas nuvens, mas a verdade é que nos últimos meses ele se afundou ainda mais no álcool. Não bastasse um complicado (e não inteiramente correspondido) amor de escritório, Mishkin esconde ainda um terrível segredo: o gato Waldo, sua maior criação, é também seu maior tormento, um amigo imaginário doentio e psicótico determinado a arruinar sua vida.

Uma HQ tragicômica que trata de temas como arte, amor, vida e tudo o que está no meio.

Kim Deitch nasceu em 1944, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Começou a publicar quadrinhos em 1967, no The East Village Other e, desde então, seu trabalho apareceu em diversas publicações, como a revista RAW. É autor de The Search for Smilin’ Ed, Shadowland eAlias, the cat, dentre outros.

O álbum estará à venda no próximo mês de julho.

por: Ed Oliver

fonte: Press-Release da editora Todavia.

Roberto Guedes lança livro contando a história do rei Jack Kirby pela editora Noir



Se há um artista que merece acima de todos o epiteto de Rei no Mercado de Quadrinhos norte americano pelo que ele foi e o que representa hoje, com certeza este homem é Jack Kirby – é o que revela a biografia de Jack Kirby, escrita por Roberto Guedes, um lançamento da editora Noir.


Estudioso das HQs Paulo Ramos lança novo livro sobre Tiras.



Um novo livro sobre tiras será lançado em breve. Tiras no Ensino, do jornalista e professor universitário Paulo Ramos, já está com contrato assinado e tem previsão de lançamento no mês de agosto, durante a realização das 4as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, na Universidade de São Paulo. A obra será publicada pela Parábola Editorial.

Herói Brasileiro Resistente ganhará live action!



Mais um super herói brasileiro irá ganhar uma versão live action!

Na década de 40 até os anos 80 o Brasil sofreu um Boom de super heróis, que quase voltou com força nos anos 90, nesse meio período o Capitão 7 tinha um seriado de tv, já o Judoka chegou a ganhar um longa metragem para o cinema, parecia que a onda dos super heróis nacionais nunca ia acabar, infelizmente dos anos 90 para cá a industria nacional sofreu um grande impacto, mas aos poucos está voltando, como no caso do anunciado filme do Doutrinador e o curta metragem do Gralha (que inclusive teve uma continuação).

Ao contrario da maioria dos super heróis, Resistente é um vigilante urbano e mais humano, porem possui um código moral elevado, em breve faremos um review das duas edições que recebemos do personagem criado por Juliano Rocha.

As histórias em quadrinhos do super herói brasileiro Resistente, de Juliano Rocha, vão ser adaptadas para um curta-metragem em live-action, com data de lançamento prevista para 05/12/2017. A produção será feita pela Carapálida Produções e contará com a direção de Rafael Yoshida. O roteiro é de Alberto Cuevas e já está em processo de finalização.

O personagem é um herói urbano criado em 2012 e já conta com duas revistas impressas e com o terceiro volume já em processo de produção. As histórias retratam a vida de Eduardo Oliveira, um jovem que foi diagnosticado com uma doença incurável e ganhou incríveis poderes graças a um tratamento com células-tronco aplicado por seu pai, um dos maiores pesquisadores do assunto no mundo. Com os poderes, Eduardo é capaz de levantar 6 toneladas, correr a uma velocidade de aproximadamente 100 km/h e seus ferimentos e contusões cicatrizam 10 vezes mais rápido que um humano normal.


O lançamento do curta-metragem será feito na internet. A ideia da produção é que a exibição seja feita por um canal do Youtube já existente. Algumas conversas já foram iniciadas com um grande veículo on-line. Mais informações serão divulgadas em breve.

Matéria do Resistente no canal Universe do You Tube:

Mais novidades no site oficial do herói: http://resistente.net/

por Ed Oliver

Matéria original: HQfan.com.br

Homem do Patuá - OBRAS ESSENCIAIS DOS QUADRINHOS BRASILEIROS nº 2




Este 6º número da Coleção Assombração trouxe como carro-chefe um dos mais fantásticos personagens criados nos quadrinhos Brasileiros, Silas Verdugo um andarilho das paragens e sertões brasileiros, criação de um dos mestres das hqs Elmano Silva ( nesta época o mesmo assinava Mano).

Ritual Macabro - OBRAS ESSENCIAIS DOS QUADRINHOS BRASILEIROS nº 1




Inaugurando nossa sessão de Obras essenciais e aproveitando para podermos relembrar obras bacanas dos quadrinhos brasileiros temos "Ritual Macabro" que foi o volume 2 da Coleção Assombração da Ediouro que encheu nossos olhos nas bancas naquele início dos anos 90, editado pelo sempre excelente e visionário Ota, ja chamou atenção pela capa magistral do mestre Julio Shimamoto!
A Edição trazia 6 Hqs executadas pelos mestres Julio Shimamoto, Flavio Colin, Mozart Couto, Flavio, Renato, Lucas, A.Lobo e Ronaldo Devil! Roteiros ficaram a cargo de Ota e Said Symas.
52 págs, Capa Colorida, Miolo P/B (1990)

Ed Oliver


Alfa - A Primeira Ordem, o super projeto das HQS entra em fase final!





O Super Projeto Alfa- A Primeira Ordem entra em sua reta final e você não pode ficar de fora desta grande empreitada das quadrinhos!!!

Álbum que trará equipe de super-heróis nacionais começa dia 15 de fevereiro processo para captar fundos e se tornar realidade.


Máscara Noturna - Um Capítulo a parte na História dos heróis nacionais.


por: Vinicius A Oliveira

A Semente...
Não é segredo nenhum que o gênero super heróis nos quadrinhos sempre teve uma forte e prolixa produção no Brasil, iniciando na década de 50 e 60 em seus primeiros passos ainda calcados na produção norte americana. Ao contrário do que prega erroneamente o gênero brasileiro soube muito bem desenvolver-se e nas últimas décadas modelar seus próprios conceitos, e características próprias amadurecendo como linguagem narrativa e artística, a exemplo de criações como Meia-Lua de Laudo Ferreira, Gaúcho de Julio Shimamoto, Meteoro de Roberto Guedes, Solar de Wellington Srbek, Cometa de Samicler Gonçalves, Quebra Queixo de Marcelo Campos Necronauta de Danilo Beyruth, e também tantos outros exemplos de iniciativas do meio alternativo de igual riqueza narrativa que infelizmente a limitada visão editorial de nosso país não deixa ver a luz do dia.

Tendo esta rápida compreensão do caminhar do gênero e sua evolução, temos o terreno preparado para falar de um título sem precedentes que assustou o Mercado Editorial por diversas de suas características, pelo pioneirismo com que foi editado e distribuído e sobretudo por se tornar parâmetro do momento em que nasceu em diante, estamos falando do Herói (na essência), Anti-Herói pelo rótulo mercadológico e sobretudo Quadrinho Pioneiro Chamado Máscara Noturna, criação dos roteiros e traço de José Salles e Edu Manzano (hoje, Ed Oliver). Quero agradecer a ambos os autores que com muito paciência e humildade me concederam entrevistas para que eu preenchesse as lacunas desta matéria, além do material que eu já havia pesquisado.


       

Para entender um pouco mais o como Máscara Noturna foi moldado neste viés tão anti-comercial e quebrador de paradigmas temos que voltar no tempo um pouco antes da criação da SM Editora, ( depois Júpiter2) editora que José Salles fundou juntamente com Edu Manzano no ano de 2005.
Para entender os parâmetros disso é preciso relembrar que José Salles e Edu Manzano se conheceram por volta do ano 2000 ambos egressos do "Boom" do movimento Underground nos anos 90, Fanzines e Contracultura, ambos ja eram figuras conhecidas e respeitas no meio, Salles então Produtor, Diretor e Ator de Filmes B com sua produtora "Daddy Inc" cujo conteúdo transgressor e estética pesada já eram cultuados no meio, assim como seus livros "Contos Pervertidos para Pessoas Sadias", "Obscuro Cárcere da Solidão", entre outros. Já Edu Manzano foi um dos criadores dos quadrinhos conhecidos como Poético-Filosóficos, publicando seus quadrinhos no brasil e exterior e músico de bandas de Metal da época também é ainda figura respeitada e conhecida na cena.
Duas mentes e personalidades transgressoras, vindas de movimentos contra o "Stabilishment" se encontram inevitavelmente nas ramificações daquele movimento e então Manzano começa a fazer adaptações dos contos de Salles para os Quadrinhos. A parceria deu tão certo que Manzano atuou também em filmes de Salles e a dupla torna-se mais forte.

Salles que sempre foi um fã e pesquisador inveterado de Quadrinhos vinha há tempos com uma idéia de contar suas próprias histórias e no final de 2003 Salles mostra a Manzano os primeiros esboços do que seria um novo personagem para uma série de quadrinhos, um misto de justiceiro e herói, um sujeito que possuía um contraponto de uma vida comum e o fato de carregar uma maldição, e um anti-herói muito violento até para os padrões da época (basta lembrar que nessa época personagens mais violentos como Lobo, Justiceiro e os Thunderbolts estavam em alta, embora isso não tenha sido influência para a criação do Máscara Noturna), Salles pediu a Manzano que desse algumas idéias para fechar os roteiros e criar visualmente o personagem, o nome já estava definido: Máscara Noturna.
Como Manzano achou que a idéia iria circular apenas no circuito alternativo, decidiu fazer uma experimentação, desenhando aquele primeiro arco de 3 histórias em estilos diferentes o que mais tarde virou um diferencial muito bem acatado pelos leitores.
O período entre 2003 a 2005 Edu Manzano trabalhou naquelas 3 primeiras histórias enquanto isso José Salles trabalhava nos bastidores a construção de uma empreitada pioneira, a criação de sua própria editora, já que antevendo os percalços e limitada visão do mercado editorial brasileiro, decidiu que se auto-publicaria; neste meio tempo alguns fanzines receberam e publicaram para o Brasil a primeira história do Máscara Noturna, chamada simplesmente "A Origem" onde Salles e Manzano apresentavam o personagem ao mundo, foi um choque, pela qualidade da história e seu pioneirismo, assim todo o conceito e criação do personagem foi uma obra conjunta dos artistas.

Numa primeira idéia de Estudo, a obscuridade e temática pesada dos roteiros inspirou Manzano a criar este logotipo inicial onde é aletra "T" é mostrada como um crucifixo invertido, idéia posteriormente abandonada.

Num segundo estudo, Manzano resolve dar um toque de cor ao personagem que apesar de ter um aspecto, mais simpático também não foi continuado pela dupla.

Máscara Noturna é o policial Rick Lee. Em uma batida à procura do maior traficante do país chamado Papa Vodu (Um homem misterioso e feiticeiro cruel que conseguiu poder através de pactos de Magia Negra do qual era adepto; criminosos do submundo acreditavam que ele possuía o corpo fechado), Rick alveja o mesmo e antes de morrer o traficante feiticeiro acaba lançando uma terrível maldição sobre o policial. Feitiço esse que condena nosso herói a ter que ceifar uma vida em nome da
deusa Kaia a cada 24 horas, ou ele mesmo morrerá consumido pela maldição.
Se vendo obrigado a tirar uma vida a cada dia, Rick lee resolve por se livrar da escória da sociedade: traficantes, pedófilos, estupradores, etc.
O Visual definitivo, um mar negro impactando as páginas  de quadrinhos!

Com essa premissa original a história e o personagem chamaram a atenção do público e a receptividade motivou ainda mais José Salles a levar o plano da editora a cabo.

Em Abril de 2005 Salles se reúne com Manzano para propor a parceria e fundarem uma editora que funcionaria como um selo para editar, produzir e publicar suas histórias em Quadrinhos, Salles propõe então lançar as 3 primeiras Hqs do Máscara Noturna em uma revista própria, que seria o lançamento inaugural da SM Editora (Salles e Manzano Editora). Durante 3 meses preparam-se para o lançamento, impressão e tralalhando nos alicerces do que seria a SM Editora.

Então em Agosto de 2005 o mundo vê nascer  Máscara Noturna nº 1 e a SM Editora que escreveria linhas importantes nas histórias em quadrinhos do Brasil!
A revista Máscara Noturna nº 1 trazia uma capa simples e de impacto, o então herói com a face escurecida e a boca semi-serrada cuspindo labaredas, uma síntese simbológica da maldição que o personagem carregava!

A revista em formato 15x21 trazia 3 Hqs:
"Origem" (Roteiro: José Salles - Desenhos: Edu Manzano)
Nela vemos o policial Rick Lee acompanhado de sua equipe indo fazer a prisão do perigoso traficante e feiticeiro Papa Vodu, resistindo a prisão este é baleado por Rick que recebe do feiticeiro a Maldição de Kaya, o que o obrigará a tirar a vida de um ser humano a cada 24 horas ou ele mesmo será consumido pelas chamas.
Atormentado pela sina que acaba de receber Rick decide-se por matar Pedófilos, Traficantes e Estupradores utilizando´se de uma meia máscara caseira para preservar sua identidade Civil, Rick passa a caçar suas vítimas pela noite. Por consequência Rick resolve usar este tempo não só para aplacar a maldição mas também para ajudar pessoas o que o torna um Vigilante noturno. Realizada com um traço que inteligentemente remete e faz homenagem à simplicidade de Bruce Timm a história é passada de forma simples, envolvente e teve grande aceitação por parte dos leitores.
"Os Amores de Rick Lee" ( Roteiro: José Salles - Desenhos: Edu Manzano)
Vemos um pouco da vida cotidiana de Rick Lee, dividido entre o amor de Zhang sua namorada  e Rita um Stripper de personalidade forte, as cenas de intimidade e sexo entre o personagem e suas mulheres são mostradas de forma explícita o que obriga os editores a colocarem uma tarja de conteúdo adulto na capa, percebia-se ali que Máscara Noturna tinha vindo como um soco na cara na forma tradicional de se fazer este tipo de quadrinho.
"Um Mundo sem Heróis" (Roteiro e Arte: Edu Manzano)
Com um tom intimista e belíssimos traços, esta História totalmente realizada por Manzano é com certeza uma das mais belas escritas com super heróis nacionais como é uma homenagem ao gênero.
Na delegacia onde trabalha vemos Rick dialogar com o delegado Palhares (caráter introduzido e criado por Manzano para a série), o delegado é além de chefe de Lee, amigo pessoal do falecido pai do policial o que deixa entre os dois uma relação paternal. Rick sai a madrugada mais uma vez para cumprir sua sina quando vê n chão uma antiga revista em quadrinhos um exemplar de o Gato ( personagem criado por Eugenio Colonnese) nisso abre-se um belo preâmbulo onde uma página exibe alguns dos mais importantes super heróis nacionais, uma Hq com um desfecho surpreendente mostrando que mesmo em meio às trevas, alguns conseguem enchergam luz para fazer o bem.


Infelizmente aqui também começou uma cruzada de Salles e Manzano contra alguns grupos em mídias sociais que tentaram em vão transformar o lançamento em chacota e por tratar-se de uma lançamento nacional tentar desacreditá-lo. O resultado foi exatamente o contrário, com tantos comentários no Orkut ( a mídia social em alta na época) e o boca a boca dos leitores fez com que aquela revista lançada de forma independente e livre vende-se nada menos que 3 mil exemplares, obrigando a SM a fazer 6 reimpressões. Até este fato era ridiculamente contestado pro alguns "críticos das hqs nacionais" o que fez com que Salles e Manzano preferissem continuar trabalhando com os bons resultados e não divulgar muito números, o foco era fazer a SM vingar!

Com os resultados otimistas, Salles decidiu transformar a SM Editora em um selo que publicaria exclusivamente Quadrinhos de autores nacionais e ali nasceria uma das editoras mais lançou quadrinhos nacionais em sua existência ( mas isso é história para outra matéria) trabalhando ainda na divulgação do Carro-chefe Máscara Noturna para que divesse uma ampla divulgação, Manzano também assume a posição de Co-Editor auxiliando Salles no aspecto burocrático e de Marketing da SM, o que fez com que o segundo número de Máscara Noturna só visse a luz do dia em Julho de 2006.


A espera compensou, com uma brilhante capa dividida entre o mestre Julio Shimamoto e Edu Manzano trazendo a longa HQ:
"Fim do Segredo" (Roteiro: José Salles - Desenhos: Edu Manzano)
A Vida de Rick Lee se transforma num pesadelo em forma de turbilhão, a pressão de seus entes queridos, a pressão da polícia e o fato de ter que ceifar vidas estão colocando em teste a sanidade do polícia e como se não bastasse sua namorada liga pedindo socorro.
O irmão de uma das vítimas do Máscara Noturna passa a investigar Lee e descobre sua vida pessoal e faz Zhang prisioneira forçando Rick a ir a seu encontro.
Chegando a residência de Zhang, Rick e nocauteado e amarrado pelo criminoso que passa abusar sexualmente de Zhang, sem ter outra alternativa  Rick libera a maldição do Kaya e mata o bandido em frente sua namorada: - O Segredo estava acabado...



A Hq é espetacular e prende o leitor do início ao fim, da série é a mais belamente ilustrada, pelas mão de Manzano.

O terceiro número de Máscara Noturna traria os sempre dinâmicos roteiros de Salles mas com uma surpresa: - Capa pintada pelo veterano mestre Elmano Silva e desenhos internos de outro talento do Underground: Emmanuel Thomaz. Manzano ainda estaria nos bastidores de Máscara Noturna opinando e sugerindo no fechamento dos roteiros já que este era o carro chefe da casa, mas estaria concentrado desenhando mais um título inaugural para a casa SM e que se tornaria um dos mais amados pelos leitores, seu herói Tormenta.


Neste terceiro número temos a HQ fechada "No Limite" :
O Cerco se fecha cada vez mais para Rick Lee e sua rotina diária começa a colidir com o período de 24 horas para matar um ser vivente que Rick deve cumprir por causa da maldição...
Zhang após descobrir a segredo de Rick pede um tempo e se afasta do policial que procura por Rita mas a encontra com uma antiga namorada que é grosseira e ciumenta. Após uma discussão Rita também coloca Rick para fora de sua vida ao sair para a rua e se aproximar de um beco Rick é confrontado pela namorada de Rita que com ciúme aponta uma arma para matá-lo, sem alternativa mais uma vez a maldição de Kaya é liberada e a mulher é consumida pelo fogo místico.
Rick fica desorientado e percebe que o fogo sai de si independente de sua vontade...
Mais tarde durante uma batida policial e disperso pelos fatos acontecidos Rick esta distraído e receb um golpe de uma bandido que foge deixando-o inconsciente, quando acorda vê que faltam poucos minutos para novamente o prazo de 24 horas se acabe, qual não é sua surpresa quando já se contorcendo de dor um amigo policial aparece em sua frente e o fogo de Kaya é liberado matando o amigo de trabalho de Rick, o cerco se fecha cada vez mais e mais...
Mais um roteiro cheio de ação do início ao fim com a arte de Thomaz pontuada por ser mais orgânica e obscura casa perfeitamente com a história.



Neste período com as revistas especializadas e blogs divulgando o trabalho da SM, o Máscara Noturna ganhava cada vez mais publico, 2007 foi um ano de várias indicações a prêmios para a SM,
Eis que após uma farta divulgação o ano de 2008 vê o 4º número de Máscara Noturna mostrar as caras. Novamente com Roteiros de José Salles e desenhos de Emmanuel Thomaz temos a HQ
"A Escolha de Rick Lee".




Rick caminha atormentado pela cidade, assombrado pela lembrança de suas vítimas ele se questiona se todos os que matou realmente mereciam sua sentença, mas ele decide que sobreviver mesmo carregando essa maldição será sua prioridade máxima.

  

Enquanto isso vemos uma violenta guerra entre gangues de traficantes nos morros e um Senador pedófilo e corrupto que mostrando o mar de lama de sua vida e como lucra com aguerra do tráfico; derepente numa emboscada o Senador e seu principal traficante são encurralados pela polícia numa emboscada armada por Rick Lee, ambos fogem para o matagal e se deparam com o Máscara Noturna, este libera o fogo de Kaya eliminando o Senador e surrando o traficante deixando-o para a polícia.
Fechando a história Zhang reata com Rick, dando ao herói um momento feliz em meio ao turbilhão de violência que se tornou sua vida.

A Novidade desta vez é que os leitores percebem a mudança do selo que antes era SM Editora para Júpiter2, uma homenagem de Salles a seu amigo e mestre Gedeone Malagola um dos maiores quadrinistas brasileiros, a mudança também serviu para demarcar o crescimento da editora e suas atividades lançando importantes títulos dos quadrinhos nacionais, Salles e Manzano trabalhavam duro nos bastidores para promover os quadrinhos nacionais.

Setembro de 2008 e chega às mãos dos leitores Máscara Noturna nº 5.


Nesta edição acompanhando Salles nos roteiros havia a arte do grande Elmano Silva que ilustrou a aventura compelta deste número chamada "Vingança".
Aqui, o Máscara Noturna mata alguns membros de uma gangue que estupravam uma prostituta num beco abandonado, sem perceber um dos membros foge e segue Rick até a casa de sua namorada Zhang, esperando que Rick saia ele e alguns comparsas sequestram Zhang que é levada ao covil dos traficantes e violentada, Rick é forçado por telefone a ir ao encontro dos traficantes levando uma grande quantia em dinheiro, prevenido ele também leva consigo armas.
Após momentos de pânico, negociação e um confronto direto Rick consegue matar os sequestradores incinerando o último e salvando Zhang.

Neste meio tempo, o Máscara Noturna alcançou seu ápice de popularidade as revistas vendiam bem.
No entanto Salles passava por uma momento de transição em sua vida pessoal e viu na mensagem do Máscara Noturna uma contradição com o que estava vivendo e assim os títulos de Júpiter2 escritos pelo mesmo passariam por uma reformulação onde Salles buscava passar sentimentos nobres e bons valores  em suas Hqs sobretudo pelo fato de estar envolvido com os alunos das escolas publicas em sua cidade. Dessa forma Salles resolveria abandonar definitivamente o Máscara Noturna o que aconteceu em seu nº6 onde presenciaríamos o desfecho da saga do Anti-Herói!

Sobre o Fato, Manzano comentou:
"Foi um choque quando Salles chegou até mim e disse que iria encerrar o carro chefe da casa, por que lutamos muito para tornar o personagem conhecido e há muita coisa minha ali também então era como um filho, eu ainda tentei fazê-lo considerar algo do tipo mudar o Status Quo do personagem mas mantê-lo, mas não consegui. Eu não condeno Salles, ele tomou uma decisão consciente, então só pude respeitar apesar de lamentar perdermos um personagem tão querido e que era exemplo, afinal que herói independente no Brasil vendia 3 mil exemplares? O Conforto veio com Tormenta que também era muito querido pelos leitores e um título forte em nosso cast, muita gente não entendia como conseguíamos lançar mais de 200 títulos e 70.000 revistas distribuídas, de autores nacionais e obter aquele número de vendas, provamos que muita coisa que se divulgava por aí sobre quadrinhos nacional não vender eram falsas..."




O último número de Máscara Noturna, trazia os roteiros de Salles e novamente a arte de Emmanuel Thomaz, trazendo a emocionante HQ "Redenção..."
A História começa mostrando o dia a dia de um líder religioso corrupto que ensina aos funcionários de sua igreja a como extorquir mais dinheiro dos fiéis e este ao sair para o estacionamento tarde da noite é queimado pelo Máscara Noturna...
Porém cada vez mais a culpa pelas mortes, ainda que de crápulas como este, toma conta da alma de Rick, o peso da dupla identidade, o risco para seus entes queridos. ecoam duramente em sua alma.
Em outro local num velho cemitério inacreditável acontece, Papa Vodu volta a vida graças aos pactos e magia negra com os quais estava envolvido ao emergir da lama pútrida seu grito corta a noite fria.
Rick visita a casa de Carla, esposa do policial que matou involuntariamente com o fogo de Kaya, ao ver o filhinho do policial Rick fica ainda mais atormentado e culpado, ao sair para as ruas com a desculpa de precisar entrar mais cedo nos serviço Rick começa a ter visões do papa Vodu em meio à multidão e atormentado começa a correr atrás das figuras que aparecem em seu campo de visão.


Rick persegue a aparição de Papa Vodu que o conduz ao cemitério, lá chegando os dois entram em confronto corporal e Rick vê que não se tratava de um espírito mas o próprio papa Vodu encarnou como um zumbi,  o policial tenta usar o fogo de Kaya contra o morto mas em vão, não surte efeito.
Mais forte e incansável Papa Vodu reverte a luta em seu favor e após este derrubar Rick o amarra desmaiado a uma das lápides do cemitério.
Ao ser acordado o terror: Rick vê Zhang, sua amiga Carla (esposa do policial morto por Rick) e seu filhinho, reféns de Papa Vodu. O Morto amarra a bebê em frente a Rick e diz: - "Seu prazo esta se acabando escolha, vai matar a bebê ou morrer no lugar dela?"

O prazo da maldição chega a seus segundos finais e Rick começa a se transmutar gritando pelo ódio e pelo terror em não querer dar cabo da criança e então solta um grito: - "Eu Morreria por Ele!!!" e cuspindo um fogo que havia mudado da cor vermelha para a azul, extermina de vez Com Papa Vodu que vira cinzas, porém o fogo também cobra seu preço em Rick e caído na lápide, olha para a amada Zhang e diz: -"Não se preocupe comigo Zhang, finalmente estou livre!!... e parte.

Máscara Noturna além de excelente história em Quadrinhos foi um marco nas histórias em quadrinhos brasileiras mostrando que é possível fazer vingar um material de conteúdo diferenciado e com independência editorial, Salles e Manzano pela visão e por seus talentos merecem este reconhecimento sempre!