Editora Universo inicia Pré-Venda de Lorde Kramus - A Noite Branca!



O editor e roteirista Gil de Mendes anuncia a Pré-Venda do primeiro título do selo próprio de sua editora Universo, trazendo a aventura Lorde Kramus - A Noite Branca, que ainda traz a participação de dois outros ícones dos quadrinhos independentes: Perseu e Aline de criação do Roteirista e desenhista Tony Brandão.

Para quem ainda não conhece, Lorde Kramus, trata-se de uma das mais completas e belas sagas de um personagem dos quadrinhos nacionais, a pesquisa histórica e a construção das personagens e ambientação é algo fenomenal neste trabalho, que ainda detalha as diversas raças, costumes e particularidades da Era Primordial. Criado por Gil de Mendes em 1991, Lorde Kramus iniciou sua trajetória em publicações alternativas e logo ganhou uma coleção de albúns profissionais, tendo sido distribuídos via Devir elogiados por crítica e público. Agora nesta nova fase em editora própria Gil de mendes promete uma nova e grandiosa fase para o maior Guerreiro da era Primordial!


LANÇAMENTO EM PRÉ-VENDA! R$ 20,00 com o frete já incluso - Data de envio: 15 de Agosto/2017

Para garantir seu exemplar acesse direto o site da editora AQUI!

Lorde Kramus - A Noite Branca.
Uma edição toda em cores que apresenta o encontro do guerreiro da Era Primordial com os irmãos Perseu e Aline, vivendo uma aventura fantástica na época atual.
A revista tem formato americano, 17x26cm - 32 pgs
Capa em couchê 240gm laminada brilhante e miolo em papel couchê de 115gm - Material gráfico excelente.
Roteiro - Gil Mendes
Desenhos - Tony Brandão
Cores: Israel Sidharta e Tony Brandão

Eu, Vilão a impactante obra de Walter Júnior trazendo frescor às Hqs Brasileiras!



Há um termo muito legal na língua francesa que diz "vous reconnaissez un lion pour son
marque" algo como "você reconhece um leão por sua patada" e quando pensamos neste termo sobre o trabalho de alguns artistas dos quadrinhos é fácil identificar o trabalho pungente de um artista pela sua identidade característica.

Assim o é Walter Junior quadrinista e roteirista de longa data, que no início dos anos 90 lançou com o roteirista Alexandre Jubran a Graphic Novel "Semideuses" HQ elogiada por publico e crítica e que se tornou parâmetro para quem se aventurou à auto-publicação nos anos seguintes.
Walter Junior seguiu atuando como designer gráfico e eis que agora retorna com força total ao seu meio e lança sua obra "Eu, Vilão" onde mais uma vez mostra a força de sua "patada"!

Eu, Vilão aposta naquele  tipo de história que nos acostumamos ver em trabalhos como Watchmen, Astro City ou nos trabalhos de Mark Millar, ou seja, assistimos a história de duas super forças antagonistas e suas implicações sociais, até aí nenhuma novidade e também aí reside seu diferencial:
- Walter Júnior soube com maestria trabalhar as questões humanas deste embate e neste caso 2 amigos Tom (Torpedo) e Richard (Retalho) ao adquirirem por acidente habilidades sobre-humanas e que se vêem em lados opostos do que tal responsabilidade poderia acarretar e vemos ambos lidando com todo o impacto que isto trouxe na vida de duas pessoas absolutamente comuns.



Os diálogos são bem sacados e a trama é conduzida de forma que o leitor realmente se vê imediatamente envolvido a história, aliás a trama é interessante justamente por fazer um contrabalanço ao mostrar que não há heróis e vilões e sim apenas consequências do que resolvemos fazer com nossas escolhas, aí reside a maior força e melhor qualidade desta HQ que além disso trás um detalhe bem relevante em se tratando de uma HQ nacional; o autor soube com maestria adaptar e trazer todo este conteúdo a uma realidade nossa, sem apelar para tipos ou regionalismos mas mostrar através das atitudes e personalidades das personagens como se daria se tal enredo realmente acontecesse numa realidade brasileira, isto por si só já destaca Eu, Vilão como um trabalho singular e que deve ser citado por seu diferencial narrativo e força em seu conteúdo.


Conduzindo toda a bela trama esta arte de Walter Junior, correta, bonita e valorizando todo o contexto narrativo e de ambientação da HQ, fugindo ao lugar comum de exageros anabolizados e fazendo funcionar seu belo traço em favor da narrativa.
Nesta época em que mais do que nunca os quadrinhos nacionais estação em alta e surgndo em franca expansão Eu, Vilão é obrigatório em qualquer coleção de respeito onde figuram os exemplos mais bem sucedidos da nona arte brasileira.

por: Ed Oliver

Contatos com o Autor e para adquirir a obra:
http://wallyjunior.wixsite.com/walterjunior
Facebook: https://www.facebook.com/WalterJuniorIllustrator







Roberto Guedes volta com a histórica Revista Status Comics.



Recentemente o editor, roteirista, escritor e pesquisador Roberto Guedes lançou o seminal "Jack Kirby o criador de Deuses" mas o intrépido editor aproveitou a bela fase para retornar com um antigo projeto: STATUS COMICS o fanzine que publicou em inicio de carreira.


A Volta de Dylan Dog às Livrarias Brasileiras



Além dos quadrinhos europeus da Mythos, outra que vai trazer HQ de qualidade ao leitor brasileiro é a editora Lorentz.
O personagem italiano Dylan Dog, também conhecido como o Investigador do Pesadelo, completou 30 anos de publicação em 2016. É o maior fenômeno editorial dos quadrinhos italianos nos últimos anos. Criado pelo roteirista Tiziano Sclavi para o Estúdio Bonelli, o personagem é um ex-policial da Scotland Yard que se livrou do distintivo e do álcool para investigar casos sobrenaturais por conta e risco próprios. Suas aventuras mesclam todo tipo de gêneros: thrillers a la Poe, terror, zumbis, viagens espaciais, interdimensionais, viagem no tempo, assassinatos, monstros, romance… Há vários gêneros presentes, sendo nada fácil colocar um como “o” mais importante, as narrativas e os temas se cruzam de uma forma, que não encontramos fronteiras, moldando um amalgama que é esse HQ de crime-suspense-mistério.


Mythos divulga leva de ótimos quadrinhos europeus.




 Os leitores mais exigentes e fãs de bons quadrinhos, terão em breve ótimas alternativas em contraponto à enxurrada de títulos de Marvel e Dc em mais uma enxurradas de mortes, ressureições e ameaças cósmicas que as americanas estão jogando em seus leitores atualmente em mais uma tentativa de uma massagem cardíaca tentando se manter no mercado. São as novidades trazidas pela Mythos editora.

Além dos materiais vindos da italiana Sergio Bonelli Editore e da britânica 2000AD, uma enxurrada de títulos europeus da Glénat está nos planos da Mythos Editora. Dois deles já têm data prevista para este segundo semestre.
Em outubro, será lançado Red Skin (ainda sem título em português), com roteiros do francês Xavier Dorison – conhecido por aqui por O Terceiro Testamento (publicada de forma incompleta pela Multi Editores) – e desenhos do norte-americano Terry Dodson, cuja arte pode ser vista em HQs de super-heróis como o Homem-Aranha (Caído entre os Mortos, O Mal no Coração dos Homens).

No final dos anos 1970, auge da Guerra Fria, uma espiã russa é enviada aos Estados Unidos para realizar uma operação de propaganda e lutar contra um grupo neo-fascista que ameaça os acordos de desarmamento nuclear. Já na terra do Tio Sam, ela se infiltrará sob a identidade secreta de uma… atriz pornô!
“Antes de conhecermos Red Skin, conhecemos Red One, que era a versão publicada pela Image“, conta o editor Julio Monteiro. “Mas a original é francês. A partir desse material com o Terry Dodson, que é conhecido pelo público das nossas HQs – ou talvez melhor dizendo pelo eixo de fãs Marvel/DC, como um todo –, aproveitamos outros materiais que também tinham esse diferencial gráfico e combinavam com boas histórias”.

De acordo com o editor da Mythos, os dois álbuns de Red Skin irão sair em um encadernado de 112 páginas.

No final de novembro, a editora trará Elric, adaptação para os quadrinhos da famosa saga escrita pelo britânico Michael Moorcock sobre o imperador do reino de Melniboné, introspectivo, debilitado e escravo da sua espada.
“Já em Elric, fomos inspirados pelo fato de que somos a casa de um dos ‘amigos’ do feiticeiro albino, que é o Conan, e também pelo fato de que o Moorcock está em alta atualmente no Brasil”, explica Monteiro.


Com roteiro de Julien Blondel e arte de Robin Recht e Didier Poli, foram lançados dois álbuns de um total de quatro volumes na Europa. No Brasil, serão compilados os dois primeiros tomos (Le trône de rubis e Stormbringer) na edição.

Vale lembrar que, no começo dos anos 1990, chegou a sair por aqui uma versão por um dos grandes escritores de Conan, Roy Thomas: Elric – Navegante Nos Mares do Destino, minissérie em quatro edições pela Abril; e A Cidade dos Sonhos, dentro da coleção Graphic Globo, com arte de P. Craig Russell.

Em 2018, serão lançadas pela editora brasileira mais obras da Glénat, que terá a companhia de títulos da Delcourt. Confira a seguir:
Cutting Edge, com roteiro de Francesco Dimitri e desenhos de Mario Alberti (do Tex Graphic Novel # 2 – Fronteira!), mostra a nata mundial de cientistas, artistas e empresários envolvidos em um desafio mortal que testará seus limites.
Já Nous, les morts se passa no Século 16, quando a Europa é vítima de uma epidemia que transforma as pessoas em zumbis. Cinco séculos depois, do outro lado do Oceano Atlântico, a única ligação do povo asteca com os europeus é um estranho grupo que chegou de barco logo após o surto.
A trama é desenvolvida pelo croata Darko Macan e a arte fica por conta do também conterrâneo Igor Kordey, conhecido por aqui por trabalhos da Marvel, DC e Heavy Metal.


Ainda no âmbito dos zumbis, os fãs de terror nas telonas poderão conferir La Nuit des Morts-Vivants, abordagem quadrinizada do francês Jean-Luc Istin (roteiro) e do italiano Elia Bonetti (arte) para o clássico longa-metragem A Noite dos Mortos-Vivos (1968), do diretor estadunidense George A. Romero.
Ainda na esteira do terror, o roteirista britânico Pat Mills (Marshal Law, Sláine) se junta ao artista francês Olivier Ledroit para dar tom ao clima gótico e sadomasoquista de Requiem – Chevalier Vampire. Morto no front durante a Segunda Guerra Mundial, um soldado nazista vai parar em um mundo onde se fica mais jovem na medida do avanço do tempo, e onde a terra é o mar e vice-versa. Lá, as pessoas reencarnam em monstros, de acordo com os seus pecados. Uma das castas mais poderosas é a dos vampiros.


Por fim, apesar de ser um material norte-americano, a editora trará, com base na edição francesa, a série Lady Mechanika, de Joe Benitez, cujo traço é conhecido por aqui em Darkness e Novos Titãs (da fase de Judd Winick). No estilo steampunk, a HQ acompanha uma garota sobrevivente de uma terrível experiência que a deixou com braços mecânicos na busca do seu passado.


Segundo Julio Monteiro, atualmente os quadrinhos alcançaram um boom que tornou possível lançar produtos diferenciados e, mesmo assim, alcançar também o público.

“Quisemos aproveitar essa oportunidade trazida pelo mercado atual para explorar novos formatos e quadrinhos diferenciados”, justifica o editor, exemplificando a republicação de Conan – Edição Histórica e, mais recentemente, Hellboy – Edição de Ouro – Contos Bizarros, que “é gigantesco para se explorar melhor a arte”.
“Ainda estamos negociando materiais franceses, mas para o ano que vem teremos, no máximo, mais um ou dois”, complementa.

por: Ed Oliver

fonte: Press Release enviado pela Mythos Editora

Maurício de Sousa o Homem de 1 Bilhão de Revistas!




Até a década de 90 era comum uma rusga e injustificada crítica e aversão aos quadrinhos brasileiros, com o advento da internet e os Projetos de financiamento de quadrinhos fez com que inúmeros e talentosos artistas brasileiros mostrassem seus trabalhos além do setor alternativo e o público leitor percebeu que havia vida inteligente ( e de qualidade) além dos universos Marvel, DC e Mangás onde, aliás as 2 americanas agonizam desde ha 3 décadas com roteiros cada vez mais repetitivos e sem a capacidade de renovar seus leitores apesar do sucesso de seus desenhos e filmes.



Mauricio de Sousa que é o principal nome do quadrinho nacional soube renovar e inovar seus produtos para o novo milênio e numa crescente cada vez maior hoje tem sua obra espalhada por todo o mundo, ultrapassando em números um nome até então pensado inabalável no setor: A Disney
Convidado do programa Roda Viva desta segunda-feira (03/07/2017) Mauricio de Sousa, nascido em 27 de outubro de 1935 na cidade paulista de Santa Isabel, ele é o autor das histórias em quadrinhos mais lidas do Brasil. Desde 1959, quando surgiu sua primeira criatura, o cãozinho Bidu, até hoje, foram mais de 1 bilhão de gibis vendidos e 400 personagens!!! Parte desta trajetória de sucesso é descrita na recém lançada biografia “Mauricio – A história que não está no gibi”. Confira trechos da entrevista:

“Foi sem querer que comecei a retratar as minhas experiências nos quadrinhos. De repente percebi que estava levando toda a minha vivência para as histórias. Estava dando certo e resolvi continuar com a mesma fórmula”.


“Um dos segredos da longevidade da Turma da Mônica é que meu estúdio tem muitos jovens. Isso ajuda a manter as histórias vivas e dinâmicas. Acompanhamos inclusive as evoluções tecnológicas e atualizamos as plataformas de comunicação. Hoje, nosso maior sucesso no YouTube é a Mônica Toys, com bilhões de acessos no mundo todo”.

“Quando criei o Cascão estava com medo de lançar a revista achando que poderia estimular as crianças a não tomarem banho. Minha mulher perguntou por que este medo e disse: ‘Toda criança é assim’. Por enquanto não penso em lançar um personagem homossexual. Vou esperar que a sociedade aceite essa questão de maneira melhor. Sempre digo que a Turma da Mônica não deve levantar bandeiras, mas pegar a bandeira que está passando”.

“O papel não vai acabar, porque é mágico, tem cheiro. É diferente da imagem fugidia da televisão, da internet. Não é a mesma coisa que pegar na mão, ler, cheirar, guardar”.

“Quando entrei no jornalismo, vinha carregado de um português rebuscado, formal. A primeira coisa que pediram na redação foi para usar uma linguagem coloquial, não colocar adjetivos e ser direto. Pensei que ia jogar fora todos os meus anos de Eça de Queiroz e Machado de Assis. Mas esse texto direto e coloquial é o ideal para caber num balão de história em quadrinho. A reportagem me ensinou a concisão. Acabou sendo ótimo, porque nem a profissão de repórter nem a de desenhista pagavam muito. Juntando as duas me dei bem”.


“Mesmo no tempo da ditadura, era muito cuidadoso. Por isso não sofri pressão do governo. Tinha que me preocupar não só com o meu salário, mas com o de todos que trabalhavam comigo. Alguns colegas tentaram me convencer a fazer com que meus personagens se engajassem, mas não aceitei. Na época da queda do Jango já tinha me dado mal e decidi que não queria mais saber de política. Na campanha pela nacionalização das histórias em quadrinho, fui demitido da Folha acusado de comunismo”.

“No momento da criação, o desenhista é o personagem. Então, já fui o Bidu, a Mônica, o Cebolinha, o Louco. Mas o personagem que mais me caracteriza é o Horácio, o dinossauro. Ele está solto no mundo. O Horácio é meu alter ego. Tanto que ainda não consegui passar o esse personagem para ninguém do meu escritório”.

“Uma coisa que incomoda qualquer criador é a patrulha do politicamente correto. De vez em quando, chego no estúdio e peço para o pessoal desobedecer um pouquinho mais. Mas o que é mal visto eu não uso. No começo das minhas histórias desenhava o Chico Bento soltando balão. Não uso mais. Meus personagens devem agir da mesma forma que as crianças bem informadas de hoje”.


“Quando conheci os gibis, fiquei maravilhado. Levei para casa alguns bem velhos, já desbotados, amassados, e pedi para a minha mãe ler para mim. Aqueles personagens ganharam vida na voz dela. Aprendi a ler pelos gibis, com a minha mãe me ensinando os segredos daquelas letrinhas. Ali começou meu gosto pelo desenho e pela vontade de fazer aquilo”.

“Na escola, uma professora não gostava que eu desenhasse na sala de aula. Me dava reguadas quando me pegava desenhando. No ano seguinte, em compensação, uma professora que adorava que eu desenhasse, pediu que eu ilustrasse as lições. Comecei a estudar ainda mais para conseguir ilustrar aquilo e passei a tirar só 9 e 10”.


“É minha família que sugere amainar um pouco os exageros dos personagens. O Cascão, por exemplo, continuará a não gostar de tomar banho, mas não precisa mais ter cheiro ruim. A Magali vai continuar comendo bem, gostando de comer, mas quando passar o carrinho de sorvete ela não vai acabar com o carrinho inteiro como fazia antes”.

“A Mônica era inaceitável no Japão porque ela batia em homens”.

“Quando lancei a revista do Chico Bento aqui em São Paulo, achei que não faria tanto sucesso por causa do universo da roça. Mas foi o contrário. Em alguns meses, ela ultrapassa a da Mônica. Quando pesquisei, descobri que isso acontecia, porque muitos leitores tinham certa nostalgia justamente daquilo que não tinham vivido”.

“Alguns mantras que adoro ouvir são ‘aprendi a ler com os seus personagens’ e ‘você me ensinou a ler’. Mas o ‘você fez parte de toda a minha infância’ talvez seja o que mais me emocione”.


A bancada de entrevistadores reuniu os jornalistas Bruno Meier (VEJA), Edison Veiga (Estadão), Helen Braun (Rádio Jovem Pan), Isabella D’Ercole (Revista Claudia) e Ivan Finotti (Folha). Com desenhos em tempo real do cartunista Paulo Caruso o programa foi transmitido pela TV Cultura.

por: Ed Oliver

Projeto de Laerte e Angeli terá residência artística na casa de Hilda Hilst



A Casa do Sol, onde Hilda Hilst (1930-2004) viveu, em Campinas, terá uma nova função a partir do dia 10, além daquela de preservar a memória da escritora e receber visitantes interessados em conhecer seu universo. Pelo menos por um tempo.

Ali, até o dia 23, 10 artistas brasileiros e estrangeiros vão se reunir com o objetivo de conceber e produzir a revista Baiacu. Baiacu é, também, o nome do projeto idealizados pelos cartunistas Laerte e Angeli que não ficará restrito apenas à casa em Campinas. Durante o período da residência, uma série de atividades será realizada na Sesc Ipiranga, em São Paulo, com a presença dos artistas convidados. A abertura será no dia 11, às 20 h, com transmissão ao vivo pelo Facebook da instituição, quando Angeli, Laerte, Rafael Coutinho e André Conti explicam a genealogia do projeto.


Profissão Quadrinista: Ser Artista ou ser mais uma Engrenagem?




O Artigo aqui não pretende ser uma visão definitiva sobre os rumos da profissão do Quadrinista no mercado atual dos quadrinhos e nem um estudo pormenorizado sobre o tema, mas abordar um aspecto importante deste ofício: "Qual afinal é o papel do profissional de Histórias em Quadrinhos?", qual sua posição diante deste Mercado?
Scott McCloud em "Desvendando os Quadrinhos" pág 172
Acredito que esta reflexão valha muito a pena sobretudo para um mercado de quadrinhos como o brasileiro que  apenas nos últimos anos tem dado uma guinada rumo ao profissionalismo e reconhecimento merecidos, a idéia para esta reflexão me veio ao reler um trecho do livro de Scott McCLoud " Desvendando os Quadrinhos" ( mais exatamente as páginas de 172 a 178 ), onde acredito que o autor tenha feito sua principal contribuição para a carreira de quem quer se aventurar a esta profissão, e uma importante  uma pergunta é lançada:
- Ser quadrinista é apenas conseguir se engajar, fazer parte de uma indústria deste entretenimento? Ou o artista é mais que um membro de uma linha fria de produção e é possível ver seu ofício como a verdadeira forma de arte que é?


Com o advento da internet e a disseminação do conhecimento e técnicas, a maior preocupação dos aspirantes à indústria dos quadrinhos é conseguir "atalhos", todos querem o segredo ou a facilidade para se inserir em um grupo, uma editora, como se um caminho "fácil" fosse possível e mesmo que o caminho seja, digamos, mais acessível para se tornar um profissional, o principal entrave infelizmente ainda não faz parte do cartel de prioridades e da mentalidade da maioria dos artistas: - "Fazer a diferença".
Como editor há mais de 10 anos nesta função e como artista no ramo de quadrinhos já estive em centenas de mostras e convenções observando e analisando milhares de páginas de quadrinhos e portfólios, em 95% dos casos as pessoas buscam um forma de se engajar nesta indústria de qualquer jeito, e uma minoria busca a pergunta de ouro: -" Como posso fazer a diferença"? Isso se reflete impiedosamente na quantidade incrível de trabalhos com erros que o próprio artista não vê, e quando não (e infelizmente é uma quantidade enorme) são trabalhos copiados em que o artista acha que o avaliador não irá perceber sua trapaça, infelizmente em certos segmentos de mercado copiar e clonar o estilo de um artista famoso é estranhamente tido como necessário devido à "demanda" de mercado. O desespero de adequar seu trabalho ao "traço do momento" vai na contramão de sua evolução como artista e na maioria dos casos também na contramão do que realmente buscam os avaliadores.

Claro que num país como o Brasil onde as Artes são vistas como preocupação menor em nossa cultura conseguir uma vaga a qualquer custo ainda prevalece na mente dos jovens que, inseridos em um estúdio parecem não se preocupar em ficar à sombra de um artista maior por toda uma carreira; essa é uma realidade triste e que não deve ser encorajada, infortúnio e reflexo de uma sociedade onde por falta de oportunidades muitas pessoas com talento parecem se bastar no simples fato de conseguir uma ocupação nesse ramo e nunca desenvolverem seus reais talentos.

Por outro lado felizmente, isso tem mudado visto o número de artistas talentosos que se lançam a publicar material fora do "mainstream" em serviços como Catarse, mostrando uma preocupação genuína no desenvolvimento dos quadrinhos como forma de arte e sua evolução como artista, sem as algemas editorias muitos conseguem dar vazão à uma criatividade sem limites.
Editoras menores e mais próximas dos artistas, conseguem fazer edições menores e atender a uma fatia de mercado que busca este material diferenciado, tiragens gigantes não são mais uma realidade do mercado de quadrinhos seja aqui ou no esterior.
Scott McCloud em "Desvendando os Quadrinhos" pág 176
Os artistas que se destacaram e são lembrados como pioneiros foram justamente aqueles que buscaram o "algo além" e construíram uma identidade, quebrando paradigmas: Alan Moore, Frank Miller, John Mark DeMatteis, Bill Sienkiewicz, Jim Steranko, Will Eisner, Bill Watterson, Liniers, Neil Gaiman, Grant Morrison, Kazuo Koike e Goseki Kojima, Daniel Clowes,  são exemplos de alguns artistas que mostraram que mesmo dentro de um contexto mais comercial e que necessitava agradar o público conseguiram imprimir uma nova linguagem e um estilo próprios.

Elektra de Bill Sienkiewicz
Spirit de Will Eisner

A fabulosa e pioneira arte de Jim Steranko

Indo mais além na busca desta identidade, são artistas que foram ainda mais longe em sua pesquisa e inovação por uma identidade própria e ainda assim conseguiram atender às demandas de mercado, mostrando que é possível conciliar arte e profissão, identidade e acessibilidade, como Caza, Phillipe Druillet, Moebius, 

No Brasil temos alguns artistas que com certeza quebraram as barreiras do senso comum e com certeza fosse este um país sério estariam gozando do reconhecimento e prestígio devidos, artistas como o impressionante Antonio Amaral e todos os artistas do movimento os Quadrinhos Poético-Filosóficos , Lourenço Mutarelli, Danilo Beyruth, Jaca, Marcatti, Calazans, Laudo Ferreira

O impressionante Antonio Amaral e sua mescla de pintura, hq e poesia!
               
Desgraçados de Lourenço Mutarelli um dos mais impressionantes Quadrinhos Brasileiros já publicados.
Detalhe de página do italiano Andre pacienza (R.I.P) um artista que fazia cada HQ sua em um estilo de traço diferente!
                                     
Pensar que o conteúdo proporcionado pelos quadrinhos deve estar atrelado às demandas imediatistas e visão pobre de conteúdo da indústria do entretenimento é um fator limitante e muito triste para o potencial de arte que os quadrinhos e seus artistas têm a oferecer. Scott McCloud nos mostrou que até mesmo na indústria do entretenimento, há um "Tao" possível.

por Ed Oliver