Enciclopédia Trópico - Um marco na literatura brasileira.


por: Ed Oliver

É imperdoável que o advento da internet que permite fazer o resgate de obras essenciais sobretudo se falamos em cultura literária, que hoje em dia não encontremos nenhum estudo ou ensaio sobre a seminal Enciclopédia Trópico.
Aqui devo me permitir e que vocês me permitam abandonar o tom isento de pesquisador e confessar que o estudo desta maravilhosa obra se deve a este escriba, ter tido contato com ela quando criança e por ela ter irremediavelmente influenciado em minha formação cultural e artística.



Para começar precisamos entender que a Enciclopédia Trópico foi lançada pela primeira vez no Brasil em 1957 em 10 volumes que é justamente a edição que iremos tratar aqui, nesse período que se estendeu até o início dos anos 80 era comum e de praxe a venda de enciclopédias em vários volumes, com vendedores oferecendo planos de compra de porta em porta. A Trópico foi provavelmente a primeira enciclopédia com um tom mais simples e de fácil entendimento, publicada no Brasil pela "Livraria Martins Editora S.A", em minha pesquisa tentei entrar em contato com a hoje editora Martins Fontes, mas não souberam me informar se a antiga editora tinha algo a ver com eles. No interior da enciclopédia há uma informação que diz a propriedade literária e artística da enciclopédia no Brasil pertence à Giuseppe Maltese, mas também não consegui até o momento verificar se este teria algo a ver com a atual Editora Maltese, segredos inerentes ao mundo literário...
Sua edição original é da Editorial Larousse da França.
Além do Brasil a enciclopédia foi lançada na Europa e nos EUA em 12 ou 15 volumes dependendo do país, mas aqui foi condensada em 10 edições sendo mantido todo o seu conteúdo.

    

Voltando à Trópico, ela foi publicada por muitos anos no Brasil mas com capas diferentes e menos conteúdo, sendo esta primeira edição de 10 volumes a completa que foi publicada com capas em cores distintas, nos dias de hoje impossível se encontrar completa e em bom estado.



A Enciclopédia Trópico tinha um charme e uma formatação únicos, além de possuir como dissemos uma linguagem fácil e simples para tratar assuntos que iam da Pré- História às Ciências, os tópicos eram bem interessantes e divididos em temas como "História da Humanidade", "História das Religiões", "Mitologia Grega", "Mitologia Nórdica", "Biografias de Personagens Famosos da nossa História e Mundial",  "História dos Presidentes do Brasil", "Animais", "Insetos", "Fauna e Flora", "Comunicações", "Estilos de Arquitetura", "Mitologia Grega" e mais uma quantidade enorme de temas interessantes, como ensaios sobre países exóticos e invenções do homem, um trabalho primoroso de pesquisa, por isso o sucesso entre a garotada e adolescentes daquela época!
Por exemplo o artigo descrevendo a Divina Comédia é algo maravilhoso e muito marcante!

    

Além desta variedade de assuntos a Trópico contava com um detalhe sui-generis: Toda a ilustração de suas páginas era feita com desenhos e pinturas feitos à mão, isso mesmo, muitos deles pequenas obras de arte retratando com fidelidade cada tema tratado,  até o detalhe dos títulos dos capítulos ganhava um charmoso detalhe artístico! Para mim, um menino chegando à sua primeira década de vida e apaixonado por desenho, quando ganhei e abri pela primeira vez um volume da Trópico foi como adentrar em um novo e maravilhoso mundo, eram tardes inteiras dedicadas a produzir em folhas de papel aqueles desenhos fantásticos, isso com certeza teve influência decisiva em minha carreira artística e na profissão que exerço hoje.

  

Evidentemente que os editores ao criarem a enciclopédia chamaram um time de artistas para tratar desta parte artística, infelizmente como era comum à época, nenhum artista é creditado no expediente da Trópico e não os reconhecemos a não ser por alguns deles que assinaram suas artes como "Pescador", "Pal", "Jacobios".
Ao contar de 20 anos, foi o tempo exato para que eu enfim conseguisse minha coleção completa e assim unida percebe-se ainda mais a força da obra!

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Além é claro da estética saudosista e artística da coleção, há um detalhe muito importante neste ( e pode-se dizer em muitas das enciclopédias da mesma época) trabalho que é o fato de o leitor ainda ter em mãos um conteúdo que não foi despersonalizado e não criminosamente "revisionado" em seu conteúdo como é comum principalmente em nossos livros de história atuais. 
Hoje infelizmente com a internet e as mídias digitais uma obra como essa teria seu conteúdo disperso perdendo a força de seu conteúdo, porém o ponto positivo é que essa mesma realidade nos permite fazer este tipo de resgate histórico de uma obra que é atemporal. 








2 comentários:

  1. muito aprendi com essa enciclopédia qdo eu era criança.
    mas muito eu li e vivi nas historias da coleção Enciclopédia da Fantasia, tambem da Livraria Martins Editora S.A., um dia quem sabe eu consiga scanea-la...
    abraços pra vcs e parabens pelo trabalho.

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  2. Muito obrigado por suas palavras Clóvis, realmente precisamos que estas obras primas sejam conhecidas pelas novas gerações!

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