Anisio Serrazul fala enfim sobre o destino dos Guerreiros da Tempestade!


Entre 2005 e 2009 um grupo de super heróis brasileiros tomou de assalto os quadrinhos nacionais, o roteirista goiano  Anísio Serrazul, assumiu os riscos, e mostrou aos na época, crédulos críticos do gênero sobretudo por serem personagens nacionais, que era possível fazer ótimos quadrinhos de super heróis nacionais, apostando no trabalho e reunindo uma equipe de trabalho competente, Anisio deu vida aos Guerreiros da Tempestade, um grupo de pessoas com poderes especiais, com visual inspirado nos heróis americanos, mas com temática e histórias voltadas à realidade brasileira.


A idéia foi tão bem concebida que logo o gibi Guerreiros da Tempestade ganhou uma legião de fãs no Brasil, contrariando expectativas e críticos pessimistas, o gibi ía tão bem que o trabalho chamou a atenção de ninguém menos que Dealer Trindade, produtor de cinema peso pesado, considerado pela americana Variety um dos 10 produtores mais promissores do mundo, e junto com outros empresários do ramo , fecharam contrato com Anisio Serrazul para a produção de um desenho animado longa metragem dos personagens!
A notícia inédita para uma produção nacional do gênero caiu como uma bomba no circuito de quadrinhos e todos faziam torcida ao empreendimento, que tinha estreia prevista para dezembro de 2009!
Porém, o ano de 2009 trouxe além da parada na publicação das revistas e consequentemente da animação, um afastamento de Anisio da mídia.
O Blog do Ilustrador entrou em contato com Anísio e desvenda nesta superentrevista os mistérios da tragetória do criador e responde a pergunta que os leitores se fazem a tanto tempo:
- Por onde andam os Guerreiros da Tempestade?

1- Primeiramente é um prazer fazer contato com você e saber que está bem.
O que voce está fazendo atualmente?
Anísio O prazer é todo meu, Ed! Fico muito feliz em saber que os Guerreiros da Tempestade despertam tanta curiosidade e carinho. Bem, atualmente, estou trabalhando as novas aventuras dos GT e do meu novo personagem, AXION, que terei enorme prazer em dar mais informações futuramente.

2- Como voce entrou para o mundo dos quadrinhos e quais seus favoritos?
Anísio Ainda quando criança, mais exatamente aos seis anos, tive meu primeiro contato com os heróis da Marvel através de um coleguinha de sala de aula. Ele levou pra escola um gibi da extinta RGE, Poderoso THOR. Lembro como se fosse ontem, foi uma sensação fantástica, naquele dia acabei com as folhas finas do meu caderno de desenho. Acho que copiei a  revista inteira. A arte era de Jack kirb. Daí em diante, nunca mais parei de rabiscar. Em 1.982 comecei a trabalhar em um jornal de Goiânia como cartunista, depois disso veio o exército (onde desenhava histórias de super heróis em um semanário do regimento).     Trabalhei em vários veículos de comunicação e agências de publicidade. Montei um bureau (birô) e posteriormente uma agência de publicidade e mesmo trabalhando em campanhas políticas era o desenho que predominava .


3- E autores?
Anísio Naqueles tempos, além do preconceito, ler gibi não era uma coisa fácil pra mim, filho de militar. As revistas de super heróis  eram publicadas com muita irregularidade, às vezes ficavam anos sem aparecer nas bancas. Aí, então, me virava com a Disney, Hanna Barbera e Turma da Mônica. Lia muito também, Tarzan, Zorro, Fantasma, Flash Gordon, Tex e Mandrake. Mas nada me fascinava mais do que Marvel e Dc. Lembro que saíram algumas edições do Raio Negro, do Gedeone Malagola, que aliás, foi grande fonte de inspiração. Então, além dos gênios Stan Lee, Jack Kirb, Sal Buscema, John Buscema, Ernie Chan, Edgar Rice Burroughs, Bob Kane e tantos outros da época, os autores de toda essa turma que citei foram fundamentais na minha formação como quadrinhista. Na década de 1.980 me inspirei muito em Frank Miller e o brasileiro Watson Portela. Aí, veio o fenômeno Dragon Ball. Meu filho mais velho, que na época era uma criança ainda pequena, me levou a assistir toda a série, aquilo era fantástico e me inspirou na criação dos GT. Tanto é, que até a edição 5, da antiga série, os desenhos nem eram comics e nem Dragon Ball. (Risos)


4- Os Guerreiros da Tempestade, grupo criado por você, foram ( e ainda são ) um fenômeno e parâmetro seguido nos Quadrinhos nacionais durante 2005/2008, fale um pouco de como foi o impacto de criar e levar a sério um projeto como este que durante tempos teve um grande preconceito por parte dos leitores do material americano?
Anísio Foi a experiência mais fantástica da minha vida!! Num piscar de olhos, lá estava eu, de leitor apaixonado a autor empenhado! (Risos) Mas, não foi fácil. Com o tempo, ou a falta dele, tive que abandonar até emprego público. O preconceito existiu no próprio meio, não vou citar nomes, mas uma galera que tenta publicar seus personagens nacionais caiu matando, mandando e-mails desaforados, criticando meu trabalho e ainda tentando me  detonar na editora. Felizmente, também fiz muitas amizades, esses eu tenho grande  prazer em citar, Lorde Lobo (Penitente) que quase teve uma aventura publicada na primeira edição, Carlos Henry (Lobo Guará) este eu conheci o trabalho muito antes, quando procurava gibis nacionais em bancas de Goiânia e me deparei com esta jóia, Daniel Vardi (Paladino) que conheci na Icones onde Gabriel Bá e Fábio Moon também publicaram em 1.994, o saudoso Cedraz (que infelizmente não está mais entre nós), Altemar (criador da heroína Jaguara) que conhecí em 2006 na Feira internacional de negócios BRAZIL PROMOTION IDEA (onde os Guerreiros da Tempestade ganharam o 1º e 3º lugares  na premiação de MARCAS E CELEBRIDADES (pra se ter uma idéia, o 2º lugar foi da Universal Pictures),  e muita gente boa como você, que apóia e divulga nossos trabalhos. Na verdade, o preconceito (ou ciúmes) por parte de alguns não me afetou nem um pouco. Sempre pensei nos GT com a cabeça de um empresário. O fato é que mesmo não agradando uma meia dúzia, o Anísio Serrazul foi lá e fez. A tiragem da GT era de mais ou menos 25 mil exemplares no início, alcançamos o exterior através do nosso site e isso graças ao meu sócio Fábio Azevedo, a quem se deve muito do sucesso dos GT, que além de me ajudar com a revista e o site, ainda desvendava o mundo dos negócios.

              


5- Diga-se de passagem o gênero super herói tem tido grandes produções no Brasil nos ultimos anos e com a queda do material americano em vendagens, voce crê que os Guerreiros da Tempestade ainda esteja no gosto do publico?
Anísio - Sim, a produção do gênero super heróis brasileiros tem tudo pra decolar e os Guerreiros da Tempestade estarão lá. O mais importante nisso tudo é não desanimar, produzir e pensar em divulgação. Além disso, precisamos nos organizar em torno da distribuição, que é o calcanhar de Aquiles de todos produtores de HQ. Quero dizer, nos ajudar, cada um em sua região.

6- Quais os planos de voltar com eles?
Anísio Os Guerreiros estão voltando em setembro. Estamos zerando a numeração e recontando a história dos GT. A publicação da revista deve ser bimensal. A arte e a estética da revista melhoraram. Aventuras em solo brasileiro. Acho que vamos agradar os antigos fãs e conquistar novos leitores. 



7- Quem eram os artistas que trabalhavam com você na produção das Hq´s?
Anísio Comecei fazendo tudo. Depois, da edição 6 em diante, os coloristas Igor Noronha e Rafael entraram no time. Hoje, o Igor está na Inglaterra e o Rafael trabalha com animação. Atualmente, conto com o grande amigo cartunista e ilustrador Elson Souto para dar cores às aventuras.

8- Anísio, a pergunta que não quer calar: - Por que a produção dos quadrinhos parou e o que houve com o acordo para a animação dos Guerreiros da Tempestade?
Anísio Na época dos prêmios na BRAZIL PROMOTION IDEA, muita coisa mudou. Fui indicado no 19º Troféu HQ Mix e viramos sensação na área de licenciamento, sendo disputados pelas cinco maiores empresas desse ramo no Brasil. Além disso, A Diler & associados, produtora de cinema carioca nos procurou para produzirmos um longa animado dos GT. Com o fechamento de contratos tanto para cinema quanto para licenciamento, o tempo foi ficando cada vez mais escasso. Em março de 2008 conseguimos a liberação da ANCINE (Agência Nacional de Cinema) para captar os recursos da produção junto ao empresariado.                                                                                                     Foi aí que o bicho pegou. As viagens e reuniões eram intermináveis. Além de tudo isso, os sócios da editora  resolveram separar a sociedade. O foco passou a ser a captação para o filme. Porém, não parei de produzir. Agora, a captação finalmente chegou ao fim, mas, o dinheiro não dá nem de longe pra fazer uma produção decente nos dias de hoje.  Estamos alterando o rumo das coisas junto à ANCINE para produzirmos uma temporada de série de TV. Temos que usar os recursos o quanto antes. Essa SÉRIE vai ajudar muito o mercado de HQs nacionais, na minha opinião.


9- Voce tem lido as produções nacionais de quadrinhos, o que mais te agradou ultimamente?
Anísio Não vou mentir. Não tenho lido HQS nacionais e nem americanas. Sei que tem muita coisa acontecendo, mas não estou tendo tempo livre o suficiente. Estou acompanhando notícias em sites como o Universo HQ,  Omelete  e no Face, principalmente o meu amigo Carlos Henry. Tenho visto também notícias do Samicler (Cometa). Quando estou produzindo minhas histórias prefiro não me influenciar por nada que eu venha a ler. Na GT vou tentar abrir espaço para autores nacionais publicarem seu material. Pode ser interessante.


10- E sobre os quadrinhos e produções de super heróis no cinema atuais, qual sua opinião?
Anísio - Fantástico!!  Vou fazer 50 anos e achava que nunca veria esta febre de super heróis em hollywood. Quanto aos quadrinhos da Marvel e DC, não me interesso mais. Gostava mais quando tudo era mais simples, a velha temática do bem contra o mal. Hoje tá tudo muito complexo e misturado. Pra mim, perderam o rumo há muito tempo. Mas, os filmes são ótimos. Mesmo aqueles que não são muito fiéis aos personagens. São apenas diversão. É assim que eu vejo. As séries de super heróis é o que mais me agrada. Acompanho The Flash e ví Demolidor. Ótimas!

11- Qual sua visão da produção de quadrinhos hoje com distribuição de hqs digitais, Ipods, Ipads, Android, etc?
Anísio -  A tecnologia chegou pra ficar. Acho ótimo que isso esteja acontecendo. E é pra lá que eu vou!

12- Anísio, quais seus planos para futuro próximo?
Anísio - Meus planos são simples, produzir, produzir e produzir. Além da GT que volta em setembro, pretendo lançar AXION até janeiro. Também está nos meus planos lançar GALHA NEGRA, que já tenho um bom material produzido, mas este, talvez eu integre na GT. No mais, é batalhar a série de TV o quanto antes.

13- Agradecemos sua atenção e torcemos para o seu retorno breve e dos Guerreiros da Tempestade?
Anísio Eu que tenho muito a agradecer pela oportunidade, Ed. Gostaria de dizer também que foi graças a pessoas como o Carlos Henry, Lorde Lobo e Daniel Vardi que estou tão empolgado em voltar. Obrigado, amigos!! E, obrigado Ed!! Abraço a todos.

Pois é amigos, como dá para perceber, muita coisa boa vêm por aí! Abaixo um vídeo à época da assinatura do contrato da animação para se ter uma idéia do impacto dos Guerreiros da Tempestade no mercado de Quadrinhos Brasileiros. Muito boa sorte à Anisio Serrazul e os Guerreiros da Tempestade!!!

Confira ais novidades sobre Os Guerreios AQUI!


Entrevista por Ed Oliver

5 comentários:

  1. Grande Anísio!
    Fiquei sabendo do retorno deste grande quadrinista, a quem tenho a honra de chamar de amigo, há uns dias. Foi difícil segurar a novidade, mas, a pedido do também amigo (e quadrinista) Ed Oliver, tive que me conter, para não estragar a surpresa desta entrevista!
    O Anísio e os seus GT foram uma grande inspiração para mim, na época em que eu estava (ao lado do Nel Angeiras) produzindo as primeiras edições do Penitente, tanto que quase que o zumbizão estreou na revista dos GT!
    Desejo tudo de bom ao Anísio, em seu retorno!
    Ele sabe que pode contar comigo como seu apoio, aqui no Sul do Brasil!
    Parabéns ao Ed pela condução da entrevista!

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  2. Parabéns ao Ed pela fantástica entrevista om Anísio e a deixa de que os GT voltarão... Ficamos no aguardo destas novidades!!!

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  3. Muito obrigado pessoal, o trabalho do Anisio é incrível e merece o reconhecimento! Os Guerreiros da Tempestade sempre terão todo o apoio do nosso site!

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  4. É bom saber que muitos de nós, quadrinistas não desistem mesmo trilhando os árduos caminhos do mercado restrito de Quadrinhos brasileiros!

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  5. Meu Deus já tinha perdido as esperanças de ver GT novamente em quadrinhos ou a animação.
    Estava eu no social comics quando me deparei com Guerreiros da Tempestade e vim atrás de notícias e encontrei essa bela entrevista.
    Quando eu comprei os primeiros quadrinhos dos GT eu tinha 11 anos ou menos, e hoje minha coleção incompleta se perdeu com o tempo , infelizmente.
    Mas ainda lembro que na época o fato de ser quadrinhos brasileiros ainda mais de um goiano como eu me dava muito orgulho e me fez acreditar que um dia poderia publicar minhas histórias também, um momento muito marcante pra min foi em um evento em goiânia onde o Mestre Anísio me deu uma hq do Reboot de GT, essa eu tenho até hoje.

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