30 outubro 2014

Back to Basics - As diferenças entre Grafites!


por: Ed Oliver

Fala Galera da Prancheta! Muitos me perguntam quais as diferenças basicas entre os diferentes tipos de grafites de lapiseiras e lápis, sem querer esgotar o assunto vamos dar uma geral para entender o básico deste material!

Os grafites podem ser classificados pela sua dureza, do mais suave (macio), que resulta o preto, ao mais duro, que resulta num acinzentado (grafite). Acredita-se que este sistema de classificação foi desenvolvido por um fabricante de lápis da Inglaterra no início do século XX. São normalmente utilizados para a escrita e para desenhos, e não são, necessariamente, voltados à arte.

A dureza do lápis é classificada em 4 tipos: B, H, F e HB.



- B representa blackness, negritude;
- H representa hardness, dureza;
- F representa fine, fina (ponta fina);
- HB representa um limiar entre B e H, que caracteriza um lápis comum, para escrita.

Tipos de Lápis

Escala do mais rígido para o mais macio

9H > 8H > 7H > 6H > 5H > 4H > 3H > 2H > H > F > HB > B > 2B > 3B > 4B > 5B > 6B > 7B > 8B > 9B

Observe que quanto maior o número, mais acentuada a característica, representada pela letra:

Exemplos:
- 9H é mais duro que o H (seria 1H)
- 9B é mais suave que o B (seria 1B)

Qual Lápis Usar

A escolha é muito pessoal, mas dá para estabelecermos um "quase padrão":

- Rafes, projetos, estudos (inclusive artísticos), áreas escuras e grandes
Utilize lápis extremamente macios: 9B a 4B

- Para Desenhos a mão livre
macios: 3B a B

- Para Desenhos Lineares (inclusive escrita)
dureza média: HB ou F

- Para Desenhos Técnicos
rígidos: H ou 2H

- Para gráficos e detalhes (inclusive artísticos)
muito rígidos: 3H a 5H

- Para Litografia, Xilogravura ou outros fins especiais
extrema rigidez: 6H a 9H

De um modo geral, utilize os lápis mais duros para obter traçados claros e mais suaves para obter sombras e preencher áreas mais escuras.
Os mais duros são mais difíceis de serem apagados, enquanto os mais suaves podem ser totalmente apagados, sem deixar sulcos no papel.

Lembrando que independente de todo esse tutorial, a escolha do lápis é sua. Escolha sempre o que melhor se adequar as suas necessidades e a sua preferência.


14 setembro 2014

Lapiseiras - Análise de Produto!

Ed Oliver

Muitos me perguntam sobre materiais, sobretudo lapiseiras já que muitos de meus amigos e o pessoal das mídias sociais das quais participo, trabalham com quadrinhos o que requer um material mais técnico, preciso e adequado à quem passa horas na labuta de suas pranchetas.

Renovando meus materiais visitei diversas lojas, testando e verificando lapiseiras, dentre centenas de ofertas encontrei 4 que se sobresaíram pelas suas características.

1- Pentel GraphicGear 500 - PG525 0.5mm


Pentel sempre foi referência no que se trata de boas lapiseiras técnicas, tanto que por anos a fio só me utilizei de sua linha tradicional, dos anos 80 e 90, só quando as importações para o Brasil foram liberadas de vez, foi que experimentei outras marcas.
A Graphicgear é uma lapiseira de precisão!Idea para finalização do lápis no desenho.
Sua ponta construída inteiramente de metal e seu tubo hexagonal dão muita firmeza e segurança a traços rápidos e precisos, sobretudo a quem precisa de hachuras bem definidas em seus desenhos e definição em pequenos detalhes, para quem é acostumado com lapiseiras inteiramente de plástico ou vinil talvez estranhe no início o pequeno peso extra, mas que logo é compensado pelo conforto de sua escrita.
é oferecida nas versões: 0.3mm - Marrom, 0.5mm - Preta, 0.7mm - Azul Cobalto e 0.9mm - Cinza Metálico.

 2- Desetec Multiuso - com amortecedor 0.9mm Trident


A Trident empresa especializada em materiais técnicos de desenho e mais conhecidas por suas canetas Nanquim lança agora sua linha de lapiseiras no Mercado.
Devo confessar que quando vi a Desetec foi paixão à primeira vista, seu desenho que une o visual das lapiseiras clássicas com as modernas e aspecto Clean, me conquistaram de cara!
Na parte técnica, sua pegada é confortável e precisa graças a um inteligente "amortecedor" desenhado em seu corpo, sua leveza dá autonomia para horas de trabalho.
Essa Desetec é ideal para esboçar e para o trabalho inicial de uma arte, simples e eficaz e com um preço muito atrativo para tudo aquilo que oferece! Recomendadíssima!

3- Trident Pró-Line 0.5 HB



Mais uma surpresa daTrident,  a Pró-line segue a linha de sua amiga Desetec, porém e especificada para trabalhos de detalhismo e precisão, leve e com um desenho mais anatômico em seu corpo para
mim uma das melhores lapiseiras para quem enfrentará um trabalho detalhista e por longo período, ela é uma lapiseira que não cansa a mão! Leve, elegante e precisa!
Se a Trident fosse um carro, com certeza seria um Jaguar!

4- Koh - I - Noor Versátil



Para alguém como eu que precisa de uma lapiseira robusta, que siga a linha clássica e seja frte e precisa nada melhor que a famosa Koh - I - Noor, ela é mesmo tudo que dizem, leve, seguindo o design diagonal e com um peso ideal equilibrando sua pegada, é ideal tabém para trabalho inicial de esboço e para desenhos feitos inteiramente em grafite, ela possibilita isso!

07 setembro 2014

Confira a Exposição “A História dos Quadrinhos no Brasil" na PUC - SP

Ed Oliver

Convite: Exposição “A História dos Quadrinhos no Brasil"

A PUC – SP recebe a exposição “A História dos Quadrinhos no Brasil”, de 2 de setembro a 3 de outubro, das 10h às 19h. O evento é gratuito e acontece no Saguão de Exposições da Instituição.


Além da exposição, haverá também uma feira de gibis, palestras, encontros e debates sobre o tema.

“É a primeira vez que estamos organizando algo parecido dentro da PUC São Paulo. O principal é que vamos discutir com educadores, autores e pesquisadores, da área dos quadrinhos, essa retomada da linguagem pelo público jovem. Além disso, temos uma feira com toda essa nova produção do quadrinho adulto que tem chegado às bancas. Muitas de forma independente”, afirma Edilaine Correa, pesquisadora em artes gráficas da PUC e coordenadora do evento.

O evento terá também um workshop ministrado pelo editor e desenhista Gualberto Costa, que demonstrará como editar seu próprio fanzine. As vagas são limitadas e as inscrições devem ser feitas pelo e-mail quadrinhosnapuc@bol.com.br.

Serviço:

Exposição “A História dos Quadrinhos no Brasil"
Data: 02 de setembro a 3 de outubro de 2014
Horário: das 10h às 19h
Endereço: Rua Ministro de Godoi, 969 - Perdizes/SP - Edifício Reitor Bandeira de Mello, térreo - Saguão de Exposições anexo à biblioteca do Campus

Gratuito

Para mais informações clique AQUI!

05 setembro 2014

Projeto que reunirá os maiores Super-Heróis Nacionais!

Conheça o projeto que reunirá os maiores super-heróis nacionais



Está em fase de elaboração o Álbum Democracia do Quadrinho Brasileiro que pretende reunir os maiores super-heróis nacionais em uma grande aventura. O projeto será lançado pelo selo editorial Meuherói.com e procurará ser financiado pelo Catarse, uma ferramenta de financiamento coletivo. O DQB é um movimento criado há alguns anos por Elenildo C. Lopes, o criador do Capitão RED, e Fernando Rebouças, criador do Oi - O tucano ecologista. O principal objetivo é divulgar os quadrinhos nacionais e lutar pela sua valorização. Veja AQUI!

Segundo Elenildo, o projeto encontra-se na fase final de adesão de autores e planejamento do álbum para ser lançado no cartarse até o final do mês. Quem se interessar em apoiar esta inciativa, pode assinar a petição online criada como apoio institucional e público à arte das histórias em quadrinhos brasileira. Além disso, fica a sugestão de compartilhar a imagem que ilustra este post pelas redes sociais usando as hastags #ondeestaseuheroi
#albumdqbheroisbrasileiros . Para mais informações, envie um e-mail para albumdqb@meuheroi.com.br .


Heróis participantes e seus autores confirmados:

Anjo Urbano - Rodrigo Dos Santos
Capitão R.E.D - Elenildo Lopes
Catalogador ou Exú – Lancelott Martins
Conversor - Sandro Marcelo Farias
Inferno – Augusto Brito
Jou Ventania - Lincoln Nery
Lagarto Negro - Gabriel Rocha
Papo Amarelo - Moacir Torres
Resistente - Juliano Rocha
Velta - Emir Ribeiro
Veredicto - Ed Oliver

fonte: http://leituracast.blogspot.com.br/

30 agosto 2014

Profissão Ilustrador: A Atitude importa tanto quanto a Arte!







A Intenção do seguinte texto veio em primeiro lugar da necessidade de responder ainda que não de forma total aos questionamentos dos aspirantes ao mercado de trabalho envolvendo as artes.
Sobretudo, não quiz aqui exemplificar o como começar a fazer contatos, montar um portfólio, isso será abordados em futuros posts aqui no Blog do Ilustrador, a principal motivação aqui é falar sobre a motivação, a atitude e como você vende sua imagem de profissional o que é tão importante quanto um bom portfólio. Contanto com minha experiência no Mercado e experiências vividas com outros amigos profissionas da área espero poder dar um horizonte um pouco mais azul a quem quer buscar trabalhar e vingar com sua arte!
Antes de mais nada é preciso entender que hoje em dia apesar de um numero maior de nichos de mercado onde as artes possam ser usadas, quadrinhos, propaganda, artesanato, web-design, desenvolvimento de produtos entre outros, todos estes mercados estão saturados de ofertas de serviços e digas-se de passagem constituídos por uma grande maioria de aventureiros ou micro empresários que viram nesses mercados uma forma de serem seus próprios patrões, com produtos e atitude profissional  de qualidade bem duvidosa.
Em primeiro lugar, desenhar bem não quer dizer que você será um bom profissional, vejamos seu trabalho é bom? Mas bom para que nicho de mercado? Já comparou seu trabalho com profissionais da área que pretende atuar? Como voce é com prazos e soluções para possíveis clientes?      

                                                                                                                                                                                      
É bom mesmo ou você ouviu opinião de amigos e familiares sem nenhum conhecimento artístico com aquelas velhas frases batidas como : “ Você desenha bem, esta perdendo tempo...”  O Pior erro de quem gosta de desenhar, é se por a navegar num mercado cada vez mais exigente com um trabalho amador; uma coisa é insistir para evoluir e vencer os nãos desenvolvendo seu trabalho, outro é querer empurrar goela abaixo de possíveis clientes, um trabalho insípido que você insiste em apresentar como profissional...
Com o advento da oferta de blogs, comunidades e sites para se montar portfólios uma chuva de aspirantes já monta seus portfólios sem nenhum critério de qualidade, é comum ver pessoas que empolgados com alguns truques recém aprendidos nos photoshops e 3D Max da vida colocam seus trabalhos em portfólios numa salada de trabalhos mal acabados, num mix incompreensível de estilos e sem e profissionalismo, isso peca contra elas terrivelmente; uma coisa é você não ter medo de divulgar um trabalho bem preparado outra é expor qualquer coisa por aí feita na pressa, veja exemplos disso nos Devianarts, Tumblers e Bloggers da vida...

Pior é aquele pretensioso que monta um blog e se auto intitula “Manager, Designer, C.O, and Illustrator in the Salada Studio” veja as pessoas não são bobas, e hoje elas tem acesso à informação, não maquie seu trabalho querendo dar à ele um viés profissional que você ainda não alcançou.
Um amigo de profissão sabiamente citou uma vez, trabalhar com artes é como um receita, você tem que saber combinar os ingredientes, e cada ingrediente tem seu tempo de preparo.
Não tome este exemplos como desencorajadores, eles são antes de tudo um toque amigo para que você não tome atalhos que irão atrasar seu desenvolvimento.


Quer trabalhar com sua arte, tem tendência para isso? Antes de montar portfólios e tais conheça os mercados, sua arte e sua vontade se encaixam melhor em que tipo de nicho? Conheça profissionais das diferentes áreas, conheça como são suas diferentes áreas, identificou qual delas mais se encaixa à seu perfil? Pergunte-se : - “ Eu me vejo fazendo isso daqui 10, 20 anos ? ”. Procure cursos profissionalizantes, cursos em que possa estudar presencialmente, cursos online são limitados, nos presenciais você poderá trocar mais experiências, conhecer profissionais das áreas, vá à feiras e eventos como a PixelShow, são ótimos lugares para você estar antenado com as tendências e necessidades dos mercados que pretende atuar.
Não tenha pressa em estar pronto, lembra da história da receita?  Seja Humilde e sobretudo tenha em mente que ninguém nunca sabe de tudo! O modo como você se apresenta é tão importante quanto a qualidade de seu trabalho!

Não poderia deixar de sugerir o canal do Crás Studio no Youtube, de meu amigo Thiago Spiked, com muitas dicas e conselhos para seu desenvolvimento profissional! Confira AQUI!

02 agosto 2014

Nova Norma pode acabar de vez com os Quadrinhos nacionais.


Que os atuais governos brasileiros tem feito um "excelente trabalho" em minar a educação e fazer revisionismo histórico em livros didáticos para o publico infantil, todos sabem menos seus cegos "companheiros", agora em mais uma ação de imbecilidade nova e troglodita lei...

Saibam mais do que se trata a nova lei no texto eladborado pelo pesquisador e roteirista de quadrinhos Gian Danton.

No dia 13 de março de 2014 o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente aprovou, de forma unânime, a resolução nº 163 que considera abusiva toda e qualquer publicidade e comunicação mercadológica dirigidas às crianças.

A resolução é apoiada por muitos como uma forma de proteger as crianças contra os abusos, mas, se for colocada na prática, vai ter resultados muito mais amplos.



Legislações restritivas à publicidade infantil existem em outros países do mundo. Na Suécia, por exemplo, estão proibidos os comerciais na TV aberta. Países como Chile e Peru proíbem anúncios de determinados alimentos e bebidas. Na Grécia, anúncios de brinquedos só podem ser anunciados na TV aberta em horário adulto. No Irã, bonecos dos Simpsons e da Barbie não podem ser comercializados ou anunciados. Mas esse é o primeiro caso de proibição total e absoluta de qualquer tipo de comunicação comercial voltada ao público infantil.

A resolução considera abusiva "a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço". Estão proibidos linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores; trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança; representação de criança; pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil; personagens ou apresentadores infantis; desenho animado ou de animação; bonecos ou similares; promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.

A resolução define a 'comunicação mercadológica' como toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos, em qualquer horário, por meio de qualquer suporte ou mídia, no interior de creches e das instituições escolares da educação infantil e fundamental, inclusive em seus uniformes escolares ou materiais didáticos, seja de produtos ou serviços relacionados à infância ou relacionados ao público adolescente e adulto.




Ou seja: a legislação, na prática, proíbe qualquer comunicação voltada às crianças. O maior prejudicado com a norma é, claro, Maurício de Sousa. Muitos têm comemorado o fato de que ele não pode mais colocar seus personagens em produtos infantis, como pacotes de maçãs.

Mas a legislação é tão ampla que afeta quase toda a produção nacional destinada às crianças. As revistas em quadrinhos infantis, por exemplo, dificilmente se sustentam sem publicidade. Produzir um gibi infantil é um processo caro que quase nunca se paga apenas com as vendas de revistas (até porque essas vendas se reduzem a cada ano). Da mesma forma, os desenhos animados só são exibidos por causa da publicidade. Não por acaso, as TVs abertas estão tirando desenhos animados de sua programação. Há de se perguntar como ficarão os canais infantis da TV por assinatura, até porque eles não poderão mais ser anunciados e também não poderão mais exibir publicidade.



Na prática, a resolução joga uma pá de cal no mercado de desenhos animados infantis, que vinha apresentando um crescimento invejável, com personagens como Peixonauta e Turma da Mônica, e coloca em situação difícil as revistas infantis nacionais, já que não é permitida nem mesmo a publicidade das próprias publicações. Ou seja: a revista do Cebolinha não pode mais anunciar o conteúdo da revista do Cascão. Pior ainda para autores que queiram lançar gibis com personagens novos, que não poderão ser divulgados. Nem mesmo a distribuição de brindes para as crianças são mais permitidos. Na prática, Maurício de Sousa ainda está em uma situação melhor do que outros quadrinistas que queiram lançar outras publicações infantis. Nunca mais veremos o lançamento de outros gibis.

Mas essa é uma visão otimista. A legislação é tão ampla que, na prática, pode proibir até mesmo as capas dos gibis infantis. Veja-se: a legislação considera "'comunicação mercadológica' como toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos".

Todo manual de marketing explica que um dos elementos essenciais da comunicação mercadológica é o merchandising, ou apelo no ponto de venda. No caso das bancas de revista, o apelo comercial é feito através das capas das revistas. Ou seja, sob qualquer aspecto, a capa de um gibi é uma comunicação mercadológica. Se a norma realmente for seguida, os editores de revistas infantis terão que se adaptar, uma vez que não poderão mais exibir personagens nas capas de suas revistas. Uma solução talvez seja vender as revistas lacradas, com tarjas escondendo os personagens da mesma forma como hoje se faz com as revistas pornográficas. Num mercado em que gibis vendem cada vez menos, a resolução pode ser a pá de cal no mercado de quadrinhos nacionais.

Lendo a legislação lembrei do amigo desenhista Antonio Eder, que, mesmo depois de adulto, ainda tinha o álbum de figurinhas do Palhaço Zequinha, lançado pelo governo do Paraná no final dos anos 1970. O álbum era gratuito e as figurinhas eram trocadas por notas fiscais. Um incentivo para que a população exigisse notas fiscais que fez a alegria de muitas crianças curitibanas. Pela nova legislação, a iniciativa seria ilegal, uma vez que a norma proíbe a "promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis".

Engana-se quem acha que o problema se restringe apenas aos quadrinhos infantis. Como maioria das pessoas acha que todo gibi é para crianças, toda a produção nacional pode ser afetada. Um exemplo: quando lancei o meu livro "Grafipar, a editora que saiu do eixo", perguntei porque o livro era vendido lacrado e com uma tarja avisando que se tratava de um livro para adultos. No meu entender, o livro era obviamente para adultos, até pela referência no subtítulo à produção erótica. "Tente explicar isso a um juiz", respondeu um editor. "Se tem desenho na capa e é quadrinhos, um pai pode achar que é para criança e nos processar. Já aconteceu com outros livros semelhantes". Ou seja: provavelmente para os "especialistas" do conselho, todo quadrinho é para criança e se encaixa na norma, até porque uma das definições para isso é o uso de cores chamativas.

No pior dos cenários, até mesmo as coleções de miniaturas de personagens de quadrinhos (como os da Marvel e DC, que temos visto nas bancas) ficam comprometidas. Explica-se: a legislação atual já proíbe vender em banca de revista algo que não seja revista. Assim, quando se pretende lançar algo do gênero, coloca-se uma revista junto, e diz-se que o boneco é brinde para quem comprou a revista. Como agora brindes são proibidos e como a maioria das pessoas vê quadrinhos como coisa exclusivamente de crianças...

Uma legislação que coíba abusos na publicidade infantil seria bem vinda. Mas a proibição total, com uma lei tão ampla que pode afetar até as capas dos gibis nacionais interessaria a quem? Em tempo, as citações entre aspas foram retiradas diretamente do site do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente.