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26 maio 2019

Entrevista com Fernando César, criador do Armagedom no Sabatina Geek

por Edu Manzano

O Portal dos Quadrinhos está retornando com força total, sempre apoiando os quadrinhos como arte e sobretudo os quadrinhos brasileiros. Nesta nova fase firmamos algumas parcerias e a primeira delas é com o excelente canal Sabatina Geek capitaneado por Demétrio A. Guimarães trazendo sempre grandes lives com artistas dos quadrinhos e que iremos disponibilizar aqui também para vocês!

Estreamos com a Live super bacana do artista Fernando César, o criador do super-herói ARMAGEDOM!




03 setembro 2017

Brazuca Comics mais uma excelente iniciativa dos quadrinhos brasileiros!

Mais uma excelente iniciativa surge no horizonte dos quadrinhos brasileiros que estão em alta e vivem um excelente momento no mercado editorial e aceitação de público.

Criada por Ícaro Ricarte e Mauricio Lins, a Brazuca Comics é uma editora dedicada à criação de histórias em quadrinhos com super-heróis brasileiros. Segundo os criadores: "Mais do que emular a fórmula dos quadrinhos de heróis norte-americanos, o objetivo da Brazuca é inserir e trabalhar aventuras heroicas no contexto político-social do Brasil, mesclando críticas com elementos de magia e ficção científica".

O ponto de partida será UNIVERSO BRAZUCA, o título principal, que contará aventuras de Niara, Harpia, Supernova, Sétimo, Aurora e, principalmente, Brazuca Encapuzado. A revista terá o formato de antologia, apresentando periodicamente aventuras solo de cada herói que - na maioria das vezes - irão se conectar umas às outras, culminando em grandes eventos.

Spin-offs, graphic novels e até mesmo romances também estão sendo planejados, mas o objetivo a ser alcançado inicialmente é o estabelecimento dos personagens e da mitologia do Universo Brazuca.
Todos os quadrinhos da Brazuca Comics serão disponibilizados online para leitura gratuita em nosso site (que será revelado em breve). O projeto não tem fins lucrativos e objetiva apenas a difusão da nona arte.


Com periodicidade quinzenal, Universo Brazuca terá previsão de lançamento para 29 de junho de 2018. A meta era publicar o título ainda em 2017, mas visando a qualidade do roteiro e da arte, os autores decidiram adiar o lançamento. Mesmo assim, serão postadas em suas mídias sociais como o Twitter (https://twitter.com/brazucacomics) atualizações constantes do processo criativo, assim como previews e artes conceituais.

Muitos mistérios foram levantados no último ano com teasers e fichas de personagens, para que todas as dúvidas ao redor do projeto tenham sido sanadas.
Mais novidades virão nos próximos meses, para saber as novidades acesse também a página oficial da editora no facebook AQUI!.  29 de junho de 2018 e a data prevista para tod o lançamento dos projetos.


por: Ed Oliver (encima de release da editora).

16 agosto 2017

Carnaval de meus Demônios de Guilherme Petreca - Dica de leitura nº 1


Carnaval de meus demônios é a primeira grande narrativa sequencial gráfica de Guilherme Petreca, novo talento da ilustração que debutou no trabalho independente Galho Seco. Diabretes anunciam outro carnaval: sutil e animalesco serpenteiam na procissão de demônios apresentadas por Guilherme Petreca nesta obra marcada pelo tom profético, carregado de simbolismos. Uma narrativa visual intrigante, que sem se apoiar em nenhum texto escrito, explora o festivo e caótico numa imersão em metáforas e alegorias.
A arte de Guilherme Petreca merece um tópico à parte. Seu traço superelaborado salta aos olhos, mas o charme da composição gráfica é a narrativa fluida, que dá quase um movimento de animação às páginas que se sucedem. Se folheado rapidamente, o livro é praticamente uma obra audiovisual pronta.

Mais informações com a Balão Editorial AQUI! 

Ed Oliver

05 abril 2017

Máscara Noturna - Um Capítulo a parte na História dos heróis nacionais.


por: Vinicius A Oliveira

A Semente...
Não é segredo nenhum que o gênero super heróis nos quadrinhos sempre teve uma forte e prolixa produção no Brasil, iniciando na década de 50 e 60 em seus primeiros passos ainda calcados na produção norte americana. Ao contrário do que prega erroneamente o gênero brasileiro soube muito bem desenvolver-se e nas últimas décadas modelar seus próprios conceitos, e características próprias amadurecendo como linguagem narrativa e artística, a exemplo de criações como Meia-Lua de Laudo Ferreira, Gaúcho de Julio Shimamoto, Meteoro de Roberto Guedes, Solar de Wellington Srbek, Cometa de Samicler Gonçalves, Quebra Queixo de Marcelo Campos Necronauta de Danilo Beyruth, e também tantos outros exemplos de iniciativas do meio alternativo de igual riqueza narrativa que infelizmente a limitada visão editorial de nosso país não deixa ver a luz do dia.

Tendo esta rápida compreensão do caminhar do gênero e sua evolução, temos o terreno preparado para falar de um título sem precedentes que assustou o Mercado Editorial por diversas de suas características, pelo pioneirismo com que foi editado e distribuído e sobretudo por se tornar parâmetro do momento em que nasceu em diante, estamos falando do Herói (na essência), Anti-Herói pelo rótulo mercadológico e sobretudo Quadrinho Pioneiro Chamado Máscara Noturna, criação dos roteiros e traço de José Salles e Edu Manzano . Quero agradecer a ambos os autores que com muito paciência e humildade me concederam entrevistas para que eu preenchesse as lacunas desta matéria, além do material que eu já havia pesquisado.


       

Para entender um pouco mais o como Máscara Noturna foi moldado neste viés tão anti-comercial e quebrador de paradigmas temos que voltar no tempo um pouco antes da criação da SM Editora, ( depois Júpiter2) editora que José Salles fundou juntamente com Edu Manzano no ano de 2005.
Para entender os parâmetros disso é preciso relembrar que José Salles e Edu Manzano se conheceram por volta do ano 2000 ambos egressos do "Boom" do movimento Underground nos anos 90, Fanzines e Contracultura, ambos ja eram figuras conhecidas e respeitas no meio, Salles então Produtor, Diretor e Ator de Filmes B com sua produtora "Daddy Inc" cujo conteúdo transgressor e estética pesada já eram cultuados no meio, assim como seus livros "Contos Pervertidos para Pessoas Sadias", "Obscuro Cárcere da Solidão", entre outros. Já Edu Manzano foi um dos criadores dos quadrinhos conhecidos como Poético-Filosóficos, publicando seus quadrinhos no brasil e exterior e músico de bandas de Metal da época também é ainda figura respeitada e conhecida na cena.
Duas mentes e personalidades transgressoras, vindas de movimentos contra o "Stabilishment" se encontram inevitavelmente nas ramificações daquele movimento e então Manzano começa a fazer adaptações dos contos de Salles para os Quadrinhos. A parceria deu tão certo que Manzano atuou também em filmes de Salles e a dupla torna-se mais forte.

Salles que sempre foi um fã e pesquisador inveterado de Quadrinhos vinha há tempos com uma idéia de contar suas próprias histórias e no final de 2003 Salles mostra a Manzano os primeiros esboços do que seria um novo personagem para uma série de quadrinhos, um misto de justiceiro e herói, um sujeito que possuía um contraponto de uma vida comum e o fato de carregar uma maldição, e um anti-herói muito violento até para os padrões da época (basta lembrar que nessa época personagens mais violentos como Lobo, Justiceiro e os Thunderbolts estavam em alta, embora isso não tenha sido influência para a criação do Máscara Noturna), Salles pediu a Manzano que desse algumas idéias para fechar os roteiros e criar visualmente o personagem, o nome já estava definido: Máscara Noturna.
Como Manzano achou que a idéia iria circular apenas no circuito alternativo, decidiu fazer uma experimentação, desenhando aquele primeiro arco de 3 histórias em estilos diferentes o que mais tarde virou um diferencial muito bem acatado pelos leitores.
O período entre 2003 a 2005 Edu Manzano trabalhou naquelas 3 primeiras histórias enquanto isso José Salles trabalhava nos bastidores a construção de uma empreitada pioneira, a criação de sua própria editora, já que antevendo os percalços e limitada visão do mercado editorial brasileiro, decidiu que se auto-publicaria; neste meio tempo alguns fanzines receberam e publicaram para o Brasil a primeira história do Máscara Noturna, chamada simplesmente "A Origem" onde Salles e Manzano apresentavam o personagem ao mundo, foi um choque, pela qualidade da história e seu pioneirismo, assim todo o conceito e criação do personagem foi uma obra conjunta dos artistas.

Numa primeira idéia de Estudo, a obscuridade e temática pesada dos roteiros inspirou Manzano a criar este logotipo inicial onde é aletra "T" é mostrada como um crucifixo invertido, idéia posteriormente abandonada.

Num segundo estudo, Manzano resolve dar um toque de cor ao personagem que apesar de ter um aspecto, mais simpático também não foi continuado pela dupla.

Máscara Noturna é o policial Rick Lee. Em uma batida à procura do maior traficante do país chamado Papa Vodu (Um homem misterioso e feiticeiro cruel que conseguiu poder através de pactos de Magia Negra do qual era adepto; criminosos do submundo acreditavam que ele possuía o corpo fechado), Rick alveja o mesmo e antes de morrer o traficante feiticeiro acaba lançando uma terrível maldição sobre o policial. Feitiço esse que condena nosso herói a ter que ceifar uma vida em nome da
deusa Kaia a cada 24 horas, ou ele mesmo morrerá consumido pela maldição.
Se vendo obrigado a tirar uma vida a cada dia, Rick lee resolve por se livrar da escória da sociedade: traficantes, pedófilos, estupradores, etc.
O Visual definitivo, um mar negro impactando as páginas  de quadrinhos!

Com essa premissa original a história e o personagem chamaram a atenção do público e a receptividade motivou ainda mais José Salles a levar o plano da editora a cabo.

Em Abril de 2005 Salles se reúne com Manzano para propor a parceria e fundarem uma editora que funcionaria como um selo para editar, produzir e publicar suas histórias em Quadrinhos, Salles propõe então lançar as 3 primeiras Hqs do Máscara Noturna em uma revista própria, que seria o lançamento inaugural da SM Editora (Salles e Manzano Editora). Durante 3 meses preparam-se para o lançamento, impressão e tralalhando nos alicerces do que seria a SM Editora.

Então em Agosto de 2005 o mundo vê nascer  Máscara Noturna nº 1 e a SM Editora que escreveria linhas importantes nas histórias em quadrinhos do Brasil!
A revista Máscara Noturna nº 1 trazia uma capa simples e de impacto, o então herói com a face escurecida e a boca semi-serrada cuspindo labaredas, uma síntese simbológica da maldição que o personagem carregava!

A revista em formato 15x21 trazia 3 Hqs:
"Origem" (Roteiro: José Salles - Desenhos: Edu Manzano)
Nela vemos o policial Rick Lee acompanhado de sua equipe indo fazer a prisão do perigoso traficante e feiticeiro Papa Vodu, resistindo a prisão este é baleado por Rick que recebe do feiticeiro a Maldição de Kaya, o que o obrigará a tirar a vida de um ser humano a cada 24 horas ou ele mesmo será consumido pelas chamas.
Atormentado pela sina que acaba de receber Rick decide-se por matar Pedófilos, Traficantes e Estupradores utilizando´se de uma meia máscara caseira para preservar sua identidade Civil, Rick passa a caçar suas vítimas pela noite. Por consequência Rick resolve usar este tempo não só para aplacar a maldição mas também para ajudar pessoas o que o torna um Vigilante noturno. Realizada com um traço que inteligentemente remete e faz homenagem à simplicidade de Bruce Timm a história é passada de forma simples, envolvente e teve grande aceitação por parte dos leitores.
"Os Amores de Rick Lee" ( Roteiro: José Salles - Desenhos: Edu Manzano)
Vemos um pouco da vida cotidiana de Rick Lee, dividido entre o amor de Zhang sua namorada  e Rita um Stripper de personalidade forte, as cenas de intimidade e sexo entre o personagem e suas mulheres são mostradas de forma explícita o que obriga os editores a colocarem uma tarja de conteúdo adulto na capa, percebia-se ali que Máscara Noturna tinha vindo como um soco na cara na forma tradicional de se fazer este tipo de quadrinho.
"Um Mundo sem Heróis" (Roteiro e Arte: Edu Manzano)
Com um tom intimista e belíssimos traços, esta História totalmente realizada por Manzano é com certeza uma das mais belas escritas com super heróis nacionais como é uma homenagem ao gênero.
Na delegacia onde trabalha vemos Rick dialogar com o delegado Palhares (caráter introduzido e criado por Manzano para a série), o delegado é além de chefe de Lee, amigo pessoal do falecido pai do policial o que deixa entre os dois uma relação paternal. Rick sai a madrugada mais uma vez para cumprir sua sina quando vê n chão uma antiga revista em quadrinhos um exemplar de o Gato ( personagem criado por Eugenio Colonnese) nisso abre-se um belo preâmbulo onde uma página exibe alguns dos mais importantes super heróis nacionais, uma Hq com um desfecho surpreendente mostrando que mesmo em meio às trevas, alguns conseguem enchergam luz para fazer o bem.


Infelizmente aqui também começou uma cruzada de Salles e Manzano contra alguns grupos em mídias sociais que tentaram em vão transformar o lançamento em chacota e por tratar-se de uma lançamento nacional tentar desacreditá-lo. O resultado foi exatamente o contrário, com tantos comentários no Orkut ( a mídia social em alta na época) e o boca a boca dos leitores fez com que aquela revista lançada de forma independente e livre vende-se nada menos que 3 mil exemplares, obrigando a SM a fazer 6 reimpressões. Até este fato era ridiculamente contestado pro alguns "críticos das hqs nacionais" o que fez com que Salles e Manzano preferissem continuar trabalhando com os bons resultados e não divulgar muito números, o foco era fazer a SM vingar!

Com os resultados otimistas, Salles decidiu transformar a SM Editora em um selo que publicaria exclusivamente Quadrinhos de autores nacionais e ali nasceria uma das editoras mais lançou quadrinhos nacionais em sua existência ( mas isso é história para outra matéria) trabalhando ainda na divulgação do Carro-chefe Máscara Noturna para que divesse uma ampla divulgação, Manzano também assume a posição de Co-Editor auxiliando Salles no aspecto burocrático e de Marketing da SM, o que fez com que o segundo número de Máscara Noturna só visse a luz do dia em Julho de 2006.


A espera compensou, com uma brilhante capa dividida entre o mestre Julio Shimamoto e Edu Manzano trazendo a longa HQ:
"Fim do Segredo" (Roteiro: José Salles - Desenhos: Edu Manzano)
A Vida de Rick Lee se transforma num pesadelo em forma de turbilhão, a pressão de seus entes queridos, a pressão da polícia e o fato de ter que ceifar vidas estão colocando em teste a sanidade do polícia e como se não bastasse sua namorada liga pedindo socorro.
O irmão de uma das vítimas do Máscara Noturna passa a investigar Lee e descobre sua vida pessoal e faz Zhang prisioneira forçando Rick a ir a seu encontro.
Chegando a residência de Zhang, Rick e nocauteado e amarrado pelo criminoso que passa abusar sexualmente de Zhang, sem ter outra alternativa  Rick libera a maldição do Kaya e mata o bandido em frente sua namorada: - O Segredo estava acabado...



A Hq é espetacular e prende o leitor do início ao fim, da série é a mais belamente ilustrada, pelas mão de Manzano.

O terceiro número de Máscara Noturna traria os sempre dinâmicos roteiros de Salles mas com uma surpresa: - Capa pintada pelo veterano mestre Elmano Silva e desenhos internos de outro talento do Underground: Emmanuel Thomaz. Manzano ainda estaria nos bastidores de Máscara Noturna opinando e sugerindo no fechamento dos roteiros já que este era o carro chefe da casa, mas estaria concentrado desenhando mais um título inaugural para a casa SM e que se tornaria um dos mais amados pelos leitores, seu herói Tormenta.


Neste terceiro número temos a HQ fechada "No Limite" :
O Cerco se fecha cada vez mais para Rick Lee e sua rotina diária começa a colidir com o período de 24 horas para matar um ser vivente que Rick deve cumprir por causa da maldição...
Zhang após descobrir a segredo de Rick pede um tempo e se afasta do policial que procura por Rita mas a encontra com uma antiga namorada que é grosseira e ciumenta. Após uma discussão Rita também coloca Rick para fora de sua vida ao sair para a rua e se aproximar de um beco Rick é confrontado pela namorada de Rita que com ciúme aponta uma arma para matá-lo, sem alternativa mais uma vez a maldição de Kaya é liberada e a mulher é consumida pelo fogo místico.
Rick fica desorientado e percebe que o fogo sai de si independente de sua vontade...
Mais tarde durante uma batida policial e disperso pelos fatos acontecidos Rick esta distraído e receb um golpe de uma bandido que foge deixando-o inconsciente, quando acorda vê que faltam poucos minutos para novamente o prazo de 24 horas se acabe, qual não é sua surpresa quando já se contorcendo de dor um amigo policial aparece em sua frente e o fogo de Kaya é liberado matando o amigo de trabalho de Rick, o cerco se fecha cada vez mais e mais...
Mais um roteiro cheio de ação do início ao fim com a arte de Thomaz pontuada por ser mais orgânica e obscura casa perfeitamente com a história.



Neste período com as revistas especializadas e blogs divulgando o trabalho da SM, o Máscara Noturna ganhava cada vez mais publico, 2007 foi um ano de várias indicações a prêmios para a SM,
Eis que após uma farta divulgação o ano de 2008 vê o 4º número de Máscara Noturna mostrar as caras. Novamente com Roteiros de José Salles e desenhos de Emmanuel Thomaz temos a HQ
"A Escolha de Rick Lee".




Rick caminha atormentado pela cidade, assombrado pela lembrança de suas vítimas ele se questiona se todos os que matou realmente mereciam sua sentença, mas ele decide que sobreviver mesmo carregando essa maldição será sua prioridade máxima.

  

Enquanto isso vemos uma violenta guerra entre gangues de traficantes nos morros e um Senador pedófilo e corrupto que mostrando o mar de lama de sua vida e como lucra com aguerra do tráfico; derepente numa emboscada o Senador e seu principal traficante são encurralados pela polícia numa emboscada armada por Rick Lee, ambos fogem para o matagal e se deparam com o Máscara Noturna, este libera o fogo de Kaya eliminando o Senador e surrando o traficante deixando-o para a polícia.
Fechando a história Zhang reata com Rick, dando ao herói um momento feliz em meio ao turbilhão de violência que se tornou sua vida.

A Novidade desta vez é que os leitores percebem a mudança do selo que antes era SM Editora para Júpiter2, uma homenagem de Salles a seu amigo e mestre Gedeone Malagola um dos maiores quadrinistas brasileiros, a mudança também serviu para demarcar o crescimento da editora e suas atividades lançando importantes títulos dos quadrinhos nacionais, Salles e Manzano trabalhavam duro nos bastidores para promover os quadrinhos nacionais.

Setembro de 2008 e chega às mãos dos leitores Máscara Noturna nº 5.


Nesta edição acompanhando Salles nos roteiros havia a arte do grande Elmano Silva que ilustrou a aventura compelta deste número chamada "Vingança".
Aqui, o Máscara Noturna mata alguns membros de uma gangue que estupravam uma prostituta num beco abandonado, sem perceber um dos membros foge e segue Rick até a casa de sua namorada Zhang, esperando que Rick saia ele e alguns comparsas sequestram Zhang que é levada ao covil dos traficantes e violentada, Rick é forçado por telefone a ir ao encontro dos traficantes levando uma grande quantia em dinheiro, prevenido ele também leva consigo armas.
Após momentos de pânico, negociação e um confronto direto Rick consegue matar os sequestradores incinerando o último e salvando Zhang.

Neste meio tempo, o Máscara Noturna alcançou seu ápice de popularidade as revistas vendiam bem.
No entanto Salles passava por uma momento de transição em sua vida pessoal e viu na mensagem do Máscara Noturna uma contradição com o que estava vivendo e assim os títulos de Júpiter2 escritos pelo mesmo passariam por uma reformulação onde Salles buscava passar sentimentos nobres e bons valores  em suas Hqs sobretudo pelo fato de estar envolvido com os alunos das escolas publicas em sua cidade. Dessa forma Salles resolveria abandonar definitivamente o Máscara Noturna o que aconteceu em seu nº6 onde presenciaríamos o desfecho da saga do Anti-Herói!

Sobre o Fato, Manzano comentou:
"Foi um choque quando Salles chegou até mim e disse que iria encerrar o carro chefe da casa, por que lutamos muito para tornar o personagem conhecido e há muita coisa minha ali também então era como um filho, eu ainda tentei fazê-lo considerar algo do tipo mudar o Status Quo do personagem mas mantê-lo, mas não consegui. Eu não condeno Salles, ele tomou uma decisão consciente, então só pude respeitar apesar de lamentar perdermos um personagem tão querido e que era exemplo, afinal que herói independente no Brasil vendia 3 mil exemplares? O Conforto veio com Tormenta que também era muito querido pelos leitores e um título forte em nosso cast, muita gente não entendia como conseguíamos lançar mais de 200 títulos e 70.000 revistas distribuídas, de autores nacionais e obter aquele número de vendas, provamos que muita coisa que se divulgava por aí sobre quadrinhos nacional não vender eram falsas..."




O último número de Máscara Noturna, trazia os roteiros de Salles e novamente a arte de Emmanuel Thomaz, trazendo a emocionante HQ "Redenção..."
A História começa mostrando o dia a dia de um líder religioso corrupto que ensina aos funcionários de sua igreja a como extorquir mais dinheiro dos fiéis e este ao sair para o estacionamento tarde da noite é queimado pelo Máscara Noturna...
Porém cada vez mais a culpa pelas mortes, ainda que de crápulas como este, toma conta da alma de Rick, o peso da dupla identidade, o risco para seus entes queridos. ecoam duramente em sua alma.
Em outro local num velho cemitério inacreditável acontece, Papa Vodu volta a vida graças aos pactos e magia negra com os quais estava envolvido ao emergir da lama pútrida seu grito corta a noite fria.
Rick visita a casa de Carla, esposa do policial que matou involuntariamente com o fogo de Kaya, ao ver o filhinho do policial Rick fica ainda mais atormentado e culpado, ao sair para as ruas com a desculpa de precisar entrar mais cedo nos serviço Rick começa a ter visões do papa Vodu em meio à multidão e atormentado começa a correr atrás das figuras que aparecem em seu campo de visão.


Rick persegue a aparição de Papa Vodu que o conduz ao cemitério, lá chegando os dois entram em confronto corporal e Rick vê que não se tratava de um espírito mas o próprio papa Vodu encarnou como um zumbi,  o policial tenta usar o fogo de Kaya contra o morto mas em vão, não surte efeito.
Mais forte e incansável Papa Vodu reverte a luta em seu favor e após este derrubar Rick o amarra desmaiado a uma das lápides do cemitério.
Ao ser acordado o terror: Rick vê Zhang, sua amiga Carla (esposa do policial morto por Rick) e seu filhinho, reféns de Papa Vodu. O Morto amarra a bebê em frente a Rick e diz: - "Seu prazo esta se acabando escolha, vai matar a bebê ou morrer no lugar dela?"

O prazo da maldição chega a seus segundos finais e Rick começa a se transmutar gritando pelo ódio e pelo terror em não querer dar cabo da criança e então solta um grito: - "Eu Morreria por Ele!!!" e cuspindo um fogo que havia mudado da cor vermelha para a azul, extermina de vez Com Papa Vodu que vira cinzas, porém o fogo também cobra seu preço em Rick e caído na lápide, olha para a amada Zhang e diz: -"Não se preocupe comigo Zhang, finalmente estou livre!!... e parte.

Máscara Noturna além de excelente história em Quadrinhos foi um marco nas histórias em quadrinhos brasileiras mostrando que é possível fazer vingar um material de conteúdo diferenciado e com independência editorial, Salles e Manzano pela visão e por seus talentos merecem este reconhecimento sempre!














12 outubro 2016

Catarse: São Paulo dos Mortos Vol. 3



A série São Paulo dos Mortos conta histórias de Zumbis ambientadas nas cinzentas ruas da cidade, explorando variados temas e propondo novas perspectivas ao gênero. Vindo de 2 edições anteriores bem sucedidas e com a marca da qualidade de um time de primeira linha das hqs nacionais.
Criada pelo roteirista Daniel Esteves, diversos ilustradores já participaram do projeto: Alex Rodrigues, Al Stefano, Ibraim Roberson, Jozz, Laudo Ferreira, Omar Viñole, Samuel Bono, Wagner de Souza, Wanderson de Souza, Will.

O primeiro volume foi viabilizado através de financiamento coletivo em 2013 e foi reimpresso em 2015. Conta com 5 histórias completas, que tratam de temas como violência policial, futebol, vegetarianismo, paixão obsessiva e a humanização do usuário de drogas. O segundo volume foi publicado em 2014, desta vez com uma história completa, apresentando o personagem Mortoboy. Por enquanto tivemos HQs ambientadas no metrô, na Santa Cecília, na Luz, em Itaquera, no Palácio do Governador e na Liberdade.
Confira mais sobre as outras edições no site do Selo Zapata Edições:www.zapataedicoes.com.br
Começamos a disponibilizar as HQs em capítulos no aplicativo Social Comics, onde poderão ser lidas com alguns extras e em breve incluiremos também HQs exclusivas para esse meio digital.


Esse ano esta sendo produzida uma nova edição da série, para ser lançada durante a CCXP (Comic Con Experience em São Paulo). Os mortos voltarão as ruas da cidade em histórias INÉDITAS, apresentando novos personagens e contando com o retorno do Mortoboy.
As histórias serão ambientadas no Brás, na Paulista e no Zoológico paulistano, com esses lugares tomados por zumbis numa tentativa de refletir certos conservadorismos do presente através destas narrativas ficcionais.
A edição seguirá o modelo das anteriores, em formato americano, com capa colorida, miolo preto e branco e contará com pelo menos 64 páginas, mas a expectativa é que possa chegar até 80 páginas.

Você pode conferir mais detalhes e garantir sua edição e recompensas da página no Catarse AQUI!

03 outubro 2016

Semideuses - Walter Junior e Ale Librandi



LINK
Semideuses - Graphic Saga lançada em 1993 pelo Fanzine Saga, com personagens criados por Walter Junior (desenhos), Ale Librandi (roteiro), Marcelo de Carvalho e letreiramento de Marcelo Valente. 

Meann, Feedback, Overgirl e Lua Negra fizeram um grande barulho na época do lançamento de Semideuses na CONAQUI (Convenção Nacional de Quadrinhos Independentes), por ser uma revista de super-heróis produzida por um grupo de fanzineiros. O sucesso foi promissor com repercussão na imprensa (jornais e tv) e venda em bancas especializadas.

a Obra abocanhou dois prêmios: Ângelo Agostini de melhor lançamento e um prêmio Nova de ficção científica daquele ano. Logo após os personagens tiveram outra chance, agora em aventuras solo no Almanaque Sagaverso, que acabou não vingando e ficando apenas no primeiro número. Após todos esses anos de hiato, os super-heróis Feedback e Overgirl começam a se mexer para uma possível volta em 2017... Será?

07 setembro 2015

Entrevista com o Ilustrador e Quadrinista EDU MANZANO


Após a notícia de que a antológica editora Júpiter2 estaria parando suas atividades, ouve uma busca incessante por notícias nas últimas semanas sobretudo pedidos de entrevistas aos 2 fundadores desta grande potencia dos quadrinhos alternativos: José Salles e seu parceiro de longa data e nosso editor do Blog do Ilustrador Edu Manzano. A entrevista a seguir, conduzida por outra figura folclórica dos quadrinhos nacionais Tony Fernandes, é reveladora pois fala não só da carreira deste dois artistas das hqs nacionais, mas da trajetória de uma editora que peitou preconceitos e barreiras nos quadrinhos nacionais!
Entrevista por Tony Fernandes
Edição e Condução: Helena Sarkolsky



Nosso entrevistado, que é um competente ilustrador, autor de HQs e designer gráfico, ex-colaborador da Revista Mundo dos Super Heróis, nos brindará respondendo uma serie de perguntas sobre a carreira dele e de uma editora de autores independentes que foi, indubitavelmente, uma das mais importantes desse país e que veio lamentavelmente a encerrar suas atividades recentemente. Estou me referindo a editora Júpiter II,  da qual Manzano foi co-fundador e que já deixou saudades e um grande legado, porque revelou novos autores de quadrinhos e resgatou diversos veteranos das HQs nacionais e publicou incríveis personagens.

A seguir curtam o depoimento do grande guerreiro, que também foi um dos mentores da citada editora de HQs independentes que fez história.
O nome do fera é...

EDU MANZANO, O INTRÉPIDO!

Salve, grande, Edu. Sinta-se em casa. Bem vindo. Quando você aceitou dar essa entrevista fiquei muito feliz, pois há tempos vinha acompanhando o belo trabalho feito por você e o valoroso guerreiro e bengala brother Jose Salles, através da editora Júpiter II.
Sempre tive a curiosidade de saber mais sobre vocês... e esta será uma ótima oportunidade, de todos nós, que nos dedicamos a criar e a desenvolver HQs, saber mais sobre o incrível e corajoso trabalho que vocês realizaram e que, infelizmente, findou.
Bem, mas vamos as perguntas básicas iniciais,como é de praxe...



Qual é o seu nome de batismo, Edu?

EDU MANZANO: Eduardo Manzano.

Em que dia, mês, ano e estado você nasceu?EDU MANZANO:Filho de Italianos, nasci em São Paulo, mesmo em 12/04/1982.

Você é como eu, paulistano (quem nasce na capital é paulistano, paulista é quem nasce no interior de S. Paulo), somos raridade nesta cidade... Rssss. Você tem alguma formação acadêmica? Estudou arte ou é autoditada?EDU MANZANO:: Sou formado em Design Gráfico pelo Senac, mas muito do que aprendi no mundo das artes e dos quadrinhos foi vivenciando no dia a dia, pondo a mão na massa mesmo!


O Senac é muito bem conceituado, tem cursos profissionalizantes excelentes, mas sem dúvida a melhor escola é a pratica e a convivência com outros profissionais...
Com que idade você decidiu que deveria entrar para o mundo editorial? E, por que tomou essa decisão? O que o motivou?
EDU MANZANO: Eu sabia que queria trabalhar com desenho desde cedo, mas na época que comecei, as tecnologias ainda engatinhavam. Bati em muita porta de editora com pastinha debaixo do braço, a primeira editora que me ofereceu um emprego fixo foi a Editora do Brasil em sua linha de livros didáticos.

Editora do Brasil... conheço bem, pois já fiz um trabalho para eles, no tempo do Ricardo Borges...
Como surgiu a primeira oportunidade de publicar um trabalho seu e em que ano isso aconteceu? Teve que ralar muito para conquistar seu espaço? Ou foi fácil?
EDU MANZANO: Na verdade eu surgi mesmo no Boom dos quadrinhos alternativos do inicio dos anos 90, época da efervescência dos fanzines, publiquei meus primeiros trabalhos neste meio e o primeiro trabalho pago foi uma charge para o jornal Metro News.

Para quem não é da cidade de São Paulo, saiba que o Metro News é um tablóide de expressiva tiragem distribuído gratuitamente nas estações do metro. Foi o primeiro jornal desse tipo.  Antes de enveredar pelo setor editorial,você exerceu outras profissões?EDU MANZANO: Já trabalhei em livrarias, quer dizer estava sempre perto da cena do crime! Rsrsrsrsr!
Na verdade isso foi importantíssimo para que eu entendesse como funciona definitivamente, o mercado editorial, o dia a dia com o consumidor final.

“Perto da cena do crime”, é ótimo... rsss... Você trabalha individualmente ou prefere trabalhar em equipe?EDU MANZANO: Não sei, sempre busquei um parceiro fixo ou uma turma que pudesse levar as coisas em frente, sobretudo nos quadrinhos...
Mas, que verdade seja dita, muito artista no Brasil reclama mas não leva a sério a profissão, se compromete a fazer as coisas e não faz. Quando vê trabalho grande pela frente tem medo, fica com preguiça de prazos e responsabilidade. Eu sou ao contrário, se precisar, varo noites num projeto, por isso sempre trabalhei mais sozinho, mas adoraria fazer mais parcerias!




Que tipo de cliente você atende? Apenas editoras, ou também colabora com jornais, agências de publicidade e empresas em geral?EDU MANZANO: Meu principal ganha pão na verdade, há anos e até hoje em dia, está no mercado
publicitário e de bandas musicais. Eu tocava em bandas de Heavy Metal e naturalmente comecei a ilustrar material para capas de CDs e Merchandising, com o crescimento do estilo o meu trabalho ficou conhecido lá fora e hoje trabalho diretamente com bandas e gravadoras. Também trabalhei muitos anos para Eliphas Andreato e sua agência, através de quem conheci Tom Zé que me chamou para ilustrar o encarte de seu CD “ Jogos de Armar “ este trabalho alavancou minha carreira de ilustrador sobretudo lá fora onde Tom Zé possui uma legião muito grande de fãs.


                                       Arte de Edu Maznano © para banda Darkness in Flames


Mais um músico... legal.  Achei muito legal saber que você começou fazendo capas de CDs para as bandas e aí quando fez a cada do genial Tom Zé seu trabalho repercutiu no exterior. Parabéns, Edu, adorei as artes que fez para as bandas. Muito loucas! Grande imaginação! Show de bola! Que tipo de material você usa para executar seus trabalhos artísticos? Quais são suas principais ferramentas de trabalho?EDU MANZANO: De tudo, mas não substituo o trabalho manual pelo digital, uso o computador apenas para transpor minha arte para a plataforma digital, para trabalhos publicitários e encartes de CDs uso mais estas ferramentas, mas eu ainda vejo a arte como algo artesanal, preciso dessa interação direta entre eu, o lápis e o papel, e eu também pinto.

Você desenha e escreve HQs. Quais personagens você já criou e publicou?EDU MANZANO: Isso há muitos anos, publiquei muita coisa lá fora e aqui, charges em jornais diários, dos personagens fixos que criei, como: Máscara Noturna! Esse personagem quem criou o visual fui eu em parceria com o Salles, que fez os roteiros. Tenho muito orgulho do que conseguimos com ele, pois até hoje ele é considerado o personagem mais polêmico da HQ brasileira!
O Tormenta também, foi criado por mim e teve 7 revistas lançadas.
O Universo da Alameda da Saudade que foi indicado ao troféu HQ Mix e ao Angelo Agostini em breve será publicado na França pela Edition Métailié... estou fechando os últimos detalhes do acordo

com eles e espero que tudo esteja certo até fevereiro de 2016. Sempre considerei Alameda da Saudade um trabalho subestimado, no Brasil, quem sabe agora lá fora tenha seu devido valor reconhecido.




Com foi que você conheceu o José Salles? Em que ano isso ocorreu?EDU MANZANO:Salles sempre foi um grande escritor, eu conheci ele na época em que fundou sua loja, por volta de 97/98, a extinta Cultura Pop, aqui em São Paulo. Adaptei para HQs alguns contos dele e foi através desses trabalhos que nossa amizade cresceu até o ponto em que surgiu a editora Júpiter II.
Foi algo natural, assim como o fato de nos tornarmos grandes amigos pessoais.
Junto a outros artistas e ativistas da cena como Marcatti, Laerçon Santos, Laudo Ferreira, Omar Vinole, Marcelo Kaskadura, Jose Nogueira, e tantos outros formávamos um núclro forte de produção em São Paulo.

Essa eu não sabia... o cara tinha uma loja de revistas, como o Carlos Mann, que teve banca e depois loja (a famosa Comix)... legal. Como surgiu a ideia de criar uma editora para lançar apenas HQs independentes?EDU MANZANO: O Salles já queria desenvolver algo assim no final dos anos 90, por que observávamos a quantidade de boas HQs de autores que não tinham espaço no mercado e também foi uma forma de colocarmos nossos trabalhos no mercado. Foi uma época de muito preconceito contra nós, hoje o mercado é mais aberto.

Máscara Noturna, o Carro-chefe da Júpiter 2
Dá para imaginar a barreira que vocês tiveram que enfrentar, na época, porque edições independentes eram raras, exceto os fanzines...
Editora Júpiter2, de quem foi a ideia de adotar esse nome? Por que escolheram esse nome Júpiter II? Em homenagem a antiga editora Júpiter, suponho...
EDU MANZANO: Por causa da amizade de Salles com Gedeone Malagola, que no passado possuiu um selo de quadrinhos chamado Júpiter, então após o falecimento de Gedeone foi a forma de Salles homenageá-lo. Eu achava que precisávamos de um nome mais forte, mas enfim foi este que ficou!

De fato, nosso querido e saudoso professor Gedeone Malagola (criador de super-heróis como Raio Negro, Hydroman e Homem Lua, além de inúmeras histórias de terror etc) foi sócio da editora Júpiter.
A ideia inicial de vocês era: Publicar os independentes e faturar com isso? Ou apenas fomentar a produção de HQs nacionais, sem visar lucro?
EDU MANZANO: Ótima pergunta... para ser sincero esse foi um ponto de discordância entre eu e o Salles, quando fundamos a editora em 2005.
E achei que o Salles fosse fazer a editora para que ela se auto sustentasse e que iríamos fazer uma
seleção de títulos fortes para que isso se tornasse uma realidade...
Veja... a Júpiter 2 foi pioneira, deu espaço para muitos artistas. Títulos como Máscara Noturna, Tormenta, O Gaúcho e Raio Negro foram bem sucedidos e tinham ótima aceitação, ganhando leitores em todo o Brasil, mas ao mesmo tempo Salles insistiu em publicar coisas ainda amadoras e que não tinham uma continuidade e nisso havia um ponto de discordância entre nós pois, de repente, tínhamos 30 títulos, e eu achava que poderíamos concentrar fogo em apenas 4 ou 5 títulos para trabalharmos e divulga-los melhor. Mas num ponto eu concordava com ele, era preferível apostar em título bons de autores iniciantes do que colocar mais enlatado porcaria no mercado.
Mas a editora em si era do Salles, assim como todo o controle financeiro da coisa, ele tinha uma idéia clara do tipo de personagem que queria e história, inclusive no visual ... então eu funcionei mais como um consultor editorial. Perceba, eu não estou falando mal, afinal Salles sempre possuiu um coração enorme e queria dar espaço a todos que tocavam seu coração.
Mas infelizmente para uma editora, mesmo que independente, isso não funciona. Assim eu me afastei dos trabalhos na editora e o Salles os manteve até pouco tempo quando decidiu parar com as publicações.


Para selecionar o material dos autores, qual era o critério que vocês adotavam?EDU MANZANO: A princípio a idéia foi divulgar nossos próprios trabalhos e resgatar material que era importante para a HQ brasileira e que havia sido esquecido como O Gaúcho, de Júlio Shimamoto, e Raio Negro, de Gedeone Malagola, Obras de Elmano Silva; sempre publicamos aquilo que achávamos que tinha conteúdo, autores que nos inspirassem e que a médio ou longo prazo dessem um retorno.


        José Salles em mais um dia do Gibi Grátis, em seu trabalho em prol das crianças em Jaú.


A Júpiter publicou 200 títulos e Setenta mil revistas! De fato, um número incrível, principalmente para uma editora independente... Acredito que você teve importante papel em todo este processo?
EDU MANZANO: Como disse eu era o principal conselheiro e idealizador visual por assim dizer, a parte da divulgação e o marketing via internet era feito por mim também, como dizia o Salles a editora era uma ação entre amigos, nós e os autores que publicávamos.


                                              Heróis da Júpiter 2 - Arte de Allan Goldman.

Raras são as editoras que surgiram fora do eixo Rio\São Paulo, até em virtude da logística.
Vocês estavam sediados na cidade de Jaú, no interior de S. Paulo, correto? Por que escolheram esta cidade?
EDU MANZANO: Na verdade começamos em São Paulo como SM Editora e depois com a mudança de Salles para Jaú lá ficou sendo sua sede.

Raio Negro… vamos falar sobre esse super-herói nacional famoso, que foi a criação-mór do meu saudoso e querido bengala brother professor Gedeone Malagola... de quem foi a ideia de ressuscitar esse super-herói que marcou época? Conta aí como tudo aconteceu... achei a idéia genial!EDU MANZANO:Foi do Salles, depois que ele começou a manter contato e se tornou amigo pessoal de Gedeone e da família.
Depois de saber que ainda havia aventuras inéditas tanto do Raio Negro quanto do Homem-Lua e
Hydroman, Salles propôs ao Gedeone relançar todo seu material - é importante salientar que a única pessoa que a família Malagola permitiu que publicasse o material do Gedeone foi o Salles, que fez um digno e magnífico trabalho.
Nós que conhecemos o Gedeone pessoalmente podemos dizer que este grande autor partiu feliz.

Arte de Edu Manzano para o Máscara Noturna
Na certa ele morreu feliz da vida, por que vocês conseguiram ressuscitar, para as novas gerações, aqueles grandes heróis do passado que foram criados por ele. E este era o grande sonho dele.
Vocês conseguiram publicar trabalhos feitos por gente da nova geração muito talentosa e de grandes mestres veteranos das HQs como o grande mestre Adalto Silva, sou fã do trabalho deste cidadão... como é que vocês conseguiram reunir tanta gente boa?

EDU MANZANO: Apesar de muita gente ignorar nosso trabalho, aos poucos fomos conseguindo admiradores e pessoas que ajudaram na divulgação de nosso trabalho em jornais, revistas e sites... isso chamou a atenção de artistas talentosos e mesmo aqueles que já gostavam do meu trabalho e do Salles individualmente.
De repente, estávamos recebendo cartas e emails de todo o Brasil! Matérias em revistas, foi uma honra para nós poder trabalhar com tanta gente talentosa. Para mim, em particular, Antonio Menezes foi um dos meus mestres!
Dos artistas que publicamos e ou descobrimos gosto muito de Francinildo Sena, Wellington Santos, Gonçalez Leandro, Gabriel Rocha, e tantos outros talentos!

Veredicto o herói de Edu Manzano

Realmente, a editora Júpiter II passou a ser muito comentada por profissionais da área e por gente que estava começando e sonhava em ver seu trabalho publicado... 
vocês surgiram numa época em que as HQs nacionais em banca praticamente tinham sumido, exceto A Turma da Mônica... a Júpiter foi um grande acontecimento, ninguém pode negar...
vocês fizeram um grande trabalho. Como vocês conheceram o Elias, outro veterano do mundo dos quadrinhos?
EDU MANZANO: Obrigado, Uma geração cresceu vendo e se influenciando com nosso trabalho. Ailton Elias foi mais um veterano autor que engrossou nossas fileiras graças ao Salles, que o conheceu pessoalmente em algum momento, que não me lembro, mas de fato foimais um material que merecia muito ser divulgado!

Ed Oliver embaixo à direita fez parte da premiada equipe da Revista Mundo dos Super Heróis.
Em que dia, mês e ano a editora Júpiter II foi inaugura? E, quantos títulos vocês lançaram inicialmente? Dá para relembrar alguns?EDU MANZANO: Puxa vida, vamos lá... a editora foi fundada em Abril de 2005, que foi exatamente a publicação de nossa primeira revista o lendário polêmico Máscara Noturna edição # 1.
Publicamos muitos títulos diferentes. Entre eles os que venderam mais foram:
Máscara Noturna, Tormenta, Gaúcho, Raio Negro. Além desses, também foram bem o Chico Spencer, O Bom e Velho Faroeste e o Capitão Mac Namara. Nós nos tornamos a editora que mais publicou autores e super-heróis nacionais no Brasil. Dentre estes estavam Meteoro, Velta, Crânio, Lagarto Negro, Vulto Negro, Corcel Negro, e tantos outros!

Pelo que pude acompanhar, vocês lançaram títulos de diversos gêneros, como westerns, aventuras, super-heróis, HQs românticas e até religiosas... quais desses temas editados venderam mais?EDU MANZANO: Com certeza os de super-heróis! Em média, qual era a tiragem?
Títulos como Raio Negro, Máscara Noturna, Tormenta, sempre venderam bem, até mais do que esperávamos se você for considerar que não tínhamos estrutura de uma editora grande.


A forma de comercialização... vamos falar sobre isso, que é um fator importante... vocês só vendiam pela Internet, ou também distribuíam em bancas de jornais?EDU MANZANO: Em todos os lugares possíveis em que conseguíamos expor nossos produtos.

Deu para ganhar dinheiro publicando HQs independentes? Ou só deu para empatar?EDU MANZANO: Dava para continuar investindo em mais impressões e pagar os artistas, por que você deve imaginar o quanto se gastava em gráfica e correios.

De quem foi a decisão de encerrar as atividadesdessa casa editorial que marcou época e uma geração? E, o que os levou a isso?EDU MANZANO: Salles resolveu parar com as atividades por que também se viu descontente com os atuais rumos do mercado editorial no Brasil. Eu já havia me afastado antes por que em certo momento eu também não estava mais dando 100% de mim em nossos trabalhos e queria me concentrar em outras atividades que estava desenvolvendo.
Nesta mesma época eu era colaborador da revista Mundo dos Super Heróis, e chefiava uma equipe de ilustradores para livros didáticos na agência de Eliphas Andreato. Salles ainda continua vendendo as edições que há em estoque.


José Salles à direita junto ao mestre José Menezes. 

Que Deus lhe ouça. Precisamos de mais gente intrépida como ele e você. Admiro muito gente corajosa como vocês que, como outros, investem num setor que sempre foi instável. Digo isso, porque sei que não é fácil ser editor num país subdesenvolvido, mesmo trabalhando com grandes tiragens e distribuição nacional – por experiência própria e por estar ciente de que HQs nunca foram um tipo de publicação sustentável, com raras exceções, é óbvio.
Repito... você e o Salles foram verdadeiros heróis, de carne e osso, e não de papel... parabéns!
EDU MANZANO: Obrigado pelas palavras amigo, mas acho que no fundo Salles e eu fizemos aquilo que muitos não têm coragem, colocar a mão na massa.
Uma das coisas que aprendemos com isso por incrível que pareça é que para o grande publico mesmo não há preconceito para as HQs nacionais.
Os caras que compravam um título como Tormenta, por exemplo, não queriam saber se era um herói nacional ou americano, queriam ler a HQ por que era boa. Ainda hoje recebo emails e palavras nas redes sociais de pessoas que dizem que passaram a desenhar quadrinhos porque foram incentivadas
pelo nosso trabalho, pelos nossos personagens.
Acho que no fim das contas esse foi nosso maior pagamento, uma geração cresceu inspirada em nossa luta!

Ed Oliver e Mike Deodato
Perfeito. Movimentos nacionalistas como vocês fizeram são bacanas porque incentivaram uma nova geração a produzir, a querer também realizar um bom trabalho. EDU MANZANO: Essa eu penso era a principal diferença da Júpiter2 e de nosso trabalho, formar um novo publico leitor de quadrinhos e não só publicar ou tentar fazer material clonado do de fora.

Sem a Júpiter II, muitos autores ficarão a ver navios e as HQs Made in Brazil perdem o pouco espaço que tinham, infelizmente... você também acha que a grande maioria dos leitores de gibis – fãs de super-heróis importados, de fato, não curtem HQs nacionais?
EDU MANZANO: Como eu disse na questão anterior isso é mentira. Digo aos caras que estão começando: “ Não vão atrás de fóruns e grupos que falam mal de títulos nacionais!”.
Primeiro, porque o cara nunca produziu nada e portanto não tem conhecimento, nem sabe como funciona o mercado e a cabeça da maioria dos leitores.
Faça o seu melhor. Você vê trabalhos como Necronauta, Penitente, Meteoro, Cometa, Resistente, Crânio, Invictos, veja aí os Guerreiros da Tempestade, do amigo Anísio Serrazul, personagens que poderão virar uma animação de grande vulto! Trabalhos seminais e que provam a qualidade do autor brasileiro!

Eterna outra personagem ainda inédita de Edu Manzano
Valeu a pena editar HQs independentes no país, grande Edu? A experiência foi válida?
Você, se pudesse, faria tudo outra vez?
EDU MANZANO: Com certeza, valeu a pena incentivar uma geração de artistas e ser reconhecido por uma geração de leitores, sobretudo os amigos e as experiências que troquei foram tesouros que levarei comigo o resto da vida, a amizade de Salles e seu companheirismo para comigo também me marcaram muito!

Como você se autodefine? EDU MANZANO: Um idealista, um criador compulsivo.

O relacionamento com o ex-parceiro, José Salles, continua o mesmo? Pretendem realizar outras empreitadas desse tipo, juntos?EDU MANZANO: Mantemos contato regularmente, Salles é um irmão distante, quem sabe de uma
hora para outra não retornamos juntos com uma nova loucura?

Atualmente, você está empenhado em algum projeto pessoal? Planos para o futuro?
EDU MANZANO:  Atualmente sou Co-Editor da Universo Editora, Além disso estou desenvolvendo algumas coisas com meu novo personagem o Veredicto: http://veredictoquadrinhos.blogspot.com.br/



Quadrinhos on line podem ser uma boa opção, para as HQs tupiniquins?EDU MANZANO: Com certeza! No Japão por exemplo, a realidade dos quadrinhos digitais já está presente e há um grande mercado!

Os japoneses estão adiantados mil anos-luz da gente. Mauricio de Sousa e a Turma da Mônica, eles fazem sucesso atualmente no Brasil e no mundo.
EDU MANZANO: Eu acho que ao tomar conhecimento do sistema de trabalho e produção de autores como Disney e Torayama, Mauricio viu como deveria administrar melhor seu negócio e expandi-lo.
Sem dúvida ele é um exemplo a ser seguido e alguém que admiro muito!



Edu, foi um prazer inenarrável poder trocar idéias com você, saber mais sobre sua carreira e sobre o incrível trabalho que você e o Salles realizaram!
Em nome de todos os autores de HQs desse país e em nome de muitos leitores que curtem gibis,
só me resta, agradecer a você e ao Salles, por terem criado corajosamente a Júpiter II, uma editora que, sem dúvida, fez história, porque contribuiu de forma marcante para a sobrevivência das HQs nacionais, que se fosse depender dos chamados “Editores profissionais” teriam sucumbido há anos.
Vocês são heróis deixando um legado incrível.
EDU MANZANO: Agradeço imensamente o espaço e a oportunidade de contar um pouco de nossa história! E vamos continuar queimando os grafites!

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Edição:
Helena Sarkolski é Editora, Escritora e crítica de Quadrinhos.